terça-feira, 30 de novembro de 2010

Em busca da sandália amarela

A protagonista deste conto inspirou meu primeiro romance, que será provavelmente lançado em janeiro.

Este texto foi originalmente escrito para um concurso cultural patrocinado por uma marca de calçados. Foi premiado com a primeira posição na época, mas agora o nome da grife foi removido. Eu ganhei quatro pares de sapato. Não é o máximo? ;D

Este é um trabalho de ficção. Todos os personagens, empresas e acontecimentos retratados neste texto são produtos da imaginação da autora, ou são usados de maneira ficcional.

Ser agente secreta não é nem um pouco fácil.

Eu tenho que estar sempre atenta, pois conquistei muitos inimigos ao longo de minha carreira. Também preciso ter ética. Trabalho com segredos importantes, sempre ao lado do bem. Não posso ser corrompida. Sempre recebo missões importantes.

Os clientes entram em contato com a agência, entretanto nem sabem que eu existo. Sou conhecida por eles como agente 1701.

Há alguns dias recebi uma nova missão. O protótipo da sandália 38306 sumiu do cofre de uma luxuosa grife de calçados. A única pista que eu tinha era um telefonema recebido pela administração da empresa.

Uma mulher rica, chamada Leslie Alcântara Nogueira Zantu ofereceu R$ 100.000,00 pelo protótipo, uma semana antes de ele ter sido roubado. Ao que tudo indica, ela desejava ser a única a usar o modelo. Imagine qual seria a tragédia caso ele não fosse encontrado! Várias garotas loucas por sapatos estavam chorando. Eu precisava encontrá-lo!

Fui logo investigar a mansão de Leslie. Era uma calma madrugada de segunda-feira. Estacionei meu carro há alguns metros da residência, e fiquei observando o movimento por trás do vidro filmado.

Usei meu binóculo. Pude notar algumas peculiaridades sobre dona Leslie Zantu. Havia um Audi amarelo na garagem e dois seguranças usando uniformes amarelas. Peguei a foto da sandália em meu bolso, amarela como eu já observara. Talvez houvesse algum fato que ligasse a cor ao delito.

Desci do carro e andei em direção a casa. Era um sobrado com três andares, paredes obviamente amarelas, e telhado carmesim. Havia um enorme jardim separando a construção dos portões e muitos homens responsáveis pela vigilância.

Resolvi tentar entrar pelo portão dos fundos. Esperei até que os seguranças se afastassem e desarmei o alarme. Abrir o portão faria muito barulho, então cortei a energia da cerca elétrica, e pulei o muro.

Assim que cheguei ao chão, dois homens ouviram e vieram até mim. Antes que pudessem notificar os outros, dei um chute em cada um. Meu salto destruiu os walkie-talkies, mesmo assim eles tentaram lutar.

Tirei uma adaga da cintura e mirei a perna de um deles, que caiu derrotado. O outro apontava uma arma de fogo em minha direção. Num golpe de capoeira derrubei a arma. Com outro golpe o deixei inconsciente. Para não deixar pistas, amarrei e amordacei os dois. Consegui entrar no porão, e os deixei lá.

Já usava a roupa de um dos seguranças e portava as chaves da casa. Mesmo assim, achei melhor evitar ser vista.

A casa tinha muitos quartos, contudo achei prudente começar pelo closet de Leslie. Subi as escadas e, para minha sorte a maioria dos funcionários dormia. Notei que cada quarto tinha a porta de uma cor. Imaginei que o de Leslie só podia ter a porta amarela.

Andei por um longo corredor até que cheguei diante de duas portas amarelas. Uma delas levava ao closet, mas eu não sabia qual. Para evitar confrontos, decidi entrar no quarto cuja porta era verde, e entrar no closet pela janela.

Com uma chave de fenda abri a porta verde. Para minha sorte, não havia ninguém no quarto. Abri a janela e fui escalando a parede até a outra janela. Era o closet. Pude ver muitas roupas e sapatos amarelos, revelando a obsessão de Leslie.

Consegui abrir a janela e entrei. Comecei a andar pelas prateleiras de sapatos, mas não encontrava a sandália. Percebi então que havia um quadro de Edward Munch na parede. Atrás dele havia um cofre. Eu sempre ando com pua e estetoscópio para estas emergências.

Abri o cofre e a sandália estava lá. Era um lindo par de sandálias amarelas número 38. Como eu calço 38, achei que não faria mal se eu experimentasse.

Ficou linda, mas nem tive tempo de pensar. Ouvi passos e a voz de Leslie. Os seguranças haviam se soltado, e eu estava sendo procurada na casa inteira. Coloquei a sandália na mochila e desci pela janela com o auxílio de uma corda. Saí da casa e fui diretamente para meu carro.

Uma vez que a missão estava cumprida eu deveria ligar para a agência e devolver a sandália. Mas ela ficou tão bonita em meus pés, que resolvi ficar com ela para mim. Estava apaixonada por ela e fiz uma escolha.Tive que abandonar minha carreira de agente secreta.

Fiz uma loucura por uma sandália.