domingo, 21 de outubro de 2012

Não existe misoginia

Meu trabalho acadêmico acabou tomando um rumo que eu não esperava. Ao longo da pesquisa, topei com a questão de gênero, algo que eu não planejava abordar no mestrado.

Como tudo começou? Bem, minha ideia era fazer um trabalho sobre vampiros, mas eu precisava fazer um recorte. Meu orientador sugeriu que eu escolhesse focar em vampiras. E foi aí que tudo começou. Focar em vampiras tornou inevitável pensar em relações de gênero e criações culturais em torno da sexualidade. Daí até chegar à misoginia foi um pulo.

O fato é que sou feminista assumida. Essa inquietação é minha desde a infância, quando me diziam que eu não podia me sujar brincando porque “parecia um moleque”. Então eu cheguei à adolescência e escutei minhas amigas dizerem que eu não podia transar logo de cara com os rapazes se eu quisesse namorar. Porque os caras não respeitam as moças que fazem sexo no início da relação. E eu pensava: “Como assim? Eu tenho que bancar a assexuada para ganhar o respeito dos homens? Mas eles podem tentar transar comigo logo de cara que não vão perder meu respeito, é isso? Bem, eu vou fazer o que eu sentir vontade. E quem vier me julgar vai perder o meu respeito. Porque os direitos sobre a sexualidade devem ser iguais para ambos os gêneros.”

A garota cresceu e hoje é uma mulher adulta extremamente forte. Não vou dizer que foi fácil. Não foi mesmo. Sofri muito, mas aceitei pagar o preço. Sabe por quê? Porque nada vale o meu direito de escolha. Por nada nesse mundo eu aceitaria fingir ser quem não sou. Sim, fui muito julgada. Mas quem paga minha contas sou eu. Então, se alguém deseja se referir a mim com um daqueles termos que denigrem as mulheres pela conduta sexual... Saiba que eu não tenho nenhum respeito por alguém que julgue uma mulher pela conduta sexual, tampouco vou me ofender.

A verdade continua sendo a mesma, após tantos anos de luta feminista: Se um homem transa com “muitas” parceiras, as mulheres não deixam de considerar se envolver com ele. Mas se uma mulher transa com “muitos” parceiros, os homens (e mulheres) a consideram imprestável. Todo esse julgamento de caráter em torno da sexualidade feminina é tão entranhado em nossa sociedade, que as pessoas o fazem naturalmente, sem sequer se dar conta. Até a voz do GPS, por ser feminina, recebe o rótulo de “vadia” quando dá direções equivocadas. Pois é, já é “normal”.

Eu sou feminista, não sou misândrica. É bom frisar que tenho vários amigos do gênero masculino e tenho o maior respeito e consideração por todos eles. Não sou a favor de ideias sexistas. Não concordo com piadas baseadas em ideias prontas sobre homens e mulheres. Não gosto de piada que ridiculariza o gênero masculino da mesma forma que não gosto de piada que ridiculariza o gênero feminino.

Quando eu era criança, os meninos tentavam me tolher. Ficavam me assediando quando eu empinava pipa, me ridicularizando quando eu jogava futebol e diziam: “Menina, não atrapalha!” quando eu andava de bike. Mas eu nunca tive vontade de matar nenhum deles. Nem quero destruir as possibilidades de sucesso e felicidade deles. Sofri bullying na escola, mas nunca peguei uma arma e saí atirando aleatoriamente por aí.

Só que existem homens que têm raiva de mulheres porque... Sei lá. Alegam que foram maltratados pela mãe ou que levaram um fora alguma vez. Eu não conheço ninguém que jamais tenha sofrido por amor. Todo mundo passa por alguma desilusão amorosa em algum momento da vida. É normal. É igual ser recusado(a) num emprego, ou ser demitido(a), ou não passar no vestibular. Em algum momento vai acontecer.

Na adolescência, conheci um cara que nunca se dava bem. Ele era obeso, já estava ficando calvo aos 20 anos, não gostava de estudar e não trabalhava. Mesmo assim, ele dizia abertamente que queria arranjar uma namorada loira de cabelo liso, olhos azuis, magra e alta. O cara não é atraente nem interessante, mesmo assim, ele tem fantasia de ter uma namorada dentro do padrão de beleza máximo de nossa sociedade. Tem alguma coisa muito errada aí, né?

Pois é. Existe um discurso social velado de que homens não precisam ser especiais para terem namoradas especiais. Eles podem ser uns ogros escrotos e quererem ter namoradas lindas e jovens. Mas as mulheres não, elas precisam ser sempre impecavelmente belas. Sabe por quê? Porque o direito de escolha é masculino. É por isso também que as meninas não podem dar em cima dos meninos desde a adolescência. Têm que esperar a abordagem deles, ou seja, serem escolhidas. Como objetos.

Homens estão acostumados a escolherem mulheres. Tem filme pornô com oriental, loira, ruiva, morena, negra, mulher mais velha, adolescente. Quando procuram por prostitutas, é a mesma lógica. Talvez por isso, alguns deles, quando escolhem e não veem a gatinha com um brilho nos olhos dando pulos de alegria pela honra, ficam bravos. Ficam com o orgulho ferido e uma forte sensação de injustiça.    

Claro que essa não é a única razão para que um homem odeie tanto as mulheres. Também conheci caras bonitões que tratavam as garotas como lixo. Não existe uma fórmula pronta. Mas com certeza, isso tem a ver com a forma como as sociedades de nosso mundo tratam as mulheres. Os meninos já recebem uma educação misógina desde a infância, e algumas das maiores vias de solidificação desses conceitos chegam através de produtos culturais difundidos pelas mídias, frequentemente por meio do humor e da pornografia.

Pra resolver esse problema de misoginia, é preciso mudar a cultura, o que envolve a mudança de muitas pessoas. Como isso não seria possível a curto prazo, o objetivo desse post é ajudar na identificação de misóginos para evitar o sofrimento de mulheres desavisadas. Para começo de conversa, o ideal é distinguir misoginia de machismo.

O que é machismo?

Segundo Wikipedia, machismo ou chauvinismo masculino é a crença de que os homens são superiores às mulheres. Trocando em miudinho. Pessoas machistas, independente do gênero, acreditam que homens são mais competentes, inteligentes, confiáveis, etc. Por exemplo, aquele cara que desceu do avião após ouvir a voz da comandante teve uma atitude machista. Ele realmente acredita que uma mulher não é capaz de pilotar um avião.

Não esqueçamos que o machismo se equilibra sobre o sexismo. Um de seus pressupostos é que “existem características comportamentais intrínsecas a determinado gênero, de modo que todas as pessoas deste gênero as possuem” (Wikipedia).

Ou seja, o machismo se justifica sobre uma série de dogmas a respeitos de homens e mulheres.

  • Todo homem é mulherengo;
  • Todo homem dirige bem;
  • Todo homem é forte;
  • Todo homem é emocionalmente estável e não chora;
  • Todo homem deve ganhar mais dinheiro que sua namorada/esposa;
  • O homem deve ser sempre mais velho que sua namorada/esposa;
  • O homem deve ser sempre mais alto que sua namorada/esposa;
  • Homens mais velhos são mais atraentes que mulheres mais velhas;

                                       ***

  • Toda mulher é manipuladora e traiçoeira;
  • Toda mulher é vingativa;
  • Toda mulher é frágil;
  • Mulheres amadurecem antes que os homens, portanto devem se relacionar com homens mais velhos;
  • Mulheres mais velhas são sempre feias;
  • Mulheres só fazem sexo por amor ou por dinheiro;
  • Toda mulher dirige mal;
  • Mulheres são burras e incompetentes;
  • O maior sonho de toda mulher é arranjar um marido que a sustente;
  • Toda mulher deseja ter filhos;
  • Mulheres são histéricas;
  • Mulheres devem fazer serviço doméstico ainda que trabalhem fora e/ou estudem;
  • Mulheres são vaidosas e contam com a aparência para obter o que desejam;

Com base em todos esses preceitos, o comportamento machista tem se solidificado ao longo dos anos nas sociedades.

Também segundo Wikipedia, misoginia é o ódio ou desprezo ao sexo feminino (mulheres ou meninas). Não posso afirmar que todo homem que age da forma que descreverei agora é misógino. Mas esse conjunto de características em geral aponta para um. Mulheres também podem ser misóginas. Mas vou falar especificamente aqui dos misóginos, porque tenho mais experiência com eles.

Por exemplo, aquele cara que atirou e matou nove meninas no massacre do Realengo alegando que elas eram seres impuros era um misógino. Felizmente, nem todo misógino vai tão longe. Mas vai bem longe.

Em São Paulo, acontece um estupro a cada 15 segundos. Não, você não leu errado, não. São 240 por hora e 5760 por dia. Mesmo. Numa próxima ocasião vou explicar direitinho o que é estupro, porque essas estatísticas abrangem violências sexuais de todos os tipos, mas somente as que são reportadas.

Por hora, sejamos francos(as). Não tem como um homem estuprar uma mulher sem ser misógino. O estupro é uma prática de violência ímpar, com graves consequências psicológicas para a vítima. Coagir alguém a servir como objeto sexual não visa simplesmente obtenção de prazer, mas a destruição dessa pessoa.

Todo misógino pratica algum tipo de agressão ou abuso sexual. É natural deles, é como eles vivem a sexualidade. O tesão deles vem de destruir mulheres. Pode ser que eles não parem quando a menina reclama de dor. Pode ser que eles não se preocupem em excitar a parceira antes de penetrá-la. Pode ser que eles gozem rapidinho e não se importem com o prazer da parceira. Mas de alguma forma eles vão abusar mulheres sexualmente. Portanto, tenha cuidado se ele se encaixa em uma ou mais das descrições abaixo:

Se ele tem fixação por sexo anal, especialmente pela ideia de provocar dor, mas considera desonroso que alguém rele no ânus dele. Se ele acha que o ânus dele é território proibido porque seria humilhante que alguém o tocasse ali, mas quer penetrar o seu com o pênis, que é muito mais grosso que um dedo...

Bem, ele pode achar que não tem problema humilhar mulheres porque elas são feitas pra isso mesmo, ou porque são inferiores. Ou ele pode achar divertido provocar dores e ferimentos no ânus feminino, o que revela uma certa tendência à destruição. Se ele fizer chantagens do tipo: "Se você não me der, não reclame depois que eu arranjar outra que dê"; deixe-o arranjar. E não transe com esse cara. Ele acha que as partes dos corpos de mulheres são objetos e nem faz diferença a quem pertencem. O importante é o cu, e não a proprietária do cu. Caia fora.  

Se ele não se importa com o seu prazer na relação sexual, isso é um péssimo sinal. Fazer sexo é compartilhar. Se ele não acha importante que você tenha prazer, ele quer apenas usar seu corpo. Poderia comprar uma daquelas bonecas na sex shop, só que acha você mais barata.

Então vamos combinar: se ele não se preocupa, não se esforça, não procura seu clitóris, te penetra antes de você se excitar, te penetra bruscamente, goza logo após a penetração e já sai de cima, não te beija, não toca seus seios, não faz sexo oral... Saia da relação já.

Misógino não tem namorada. Tem vítima.

Ele pode não te bater, não cometer o que se entende por violência no senso comum, que é a agressão física. Mas ele vai, com certeza, te agredir com palavras, humilhações e sexualmente, como já foi mencionado.

Agressão verbal inclui xingamentos tais como: puta, piranha, galinha, vaca, vagabunda, vadia, burra, desgraçada, inútil, chata, ameba, cobra, porca. Também inclui apelidos pejorativos que ele por ventura invente utilizando seu nome ou apelido.

Agressão psicológica inclui todo tipo de humilhação ou comportamento que te mantenha oprimida. Inclui afirmar que você está gorda, que precisa emagrecer ou fazer plástica, principalmente na frente de outras pessoas, insistir em fantasias sexuais que você não curte, inclusive obrigá-la a ver filme pornô, recusar-se a usar preservativo, ameaçar aborto caso você engravide, demonstrar achar que você deseja engravidar dele para receber pensão ou casar, rir de você na frente dos amigos, fazer piadas sobre você, fazer discurso sobre a inferioridade feminina, dar ordens para que você faça tarefas domésticas, grosserias.

Eu sei que é difícil perceber que um homem é abusivo quando se está apaixonada por ele, principalmente na adolescência. Mas preste atenção ao comportamento dele. Converse, pergunte sobre assuntos polêmicos e veja os comentários dele. Mencione um caso de estupro recentemente divulgado. Como ele reage? Sente empatia pela vítima? Não parece se importar? Culpa a vítima? Diz que não era estupro porque o agressor era o namorado dela, ou porque ela tinha ido à casa dele?

Comentários misóginos denunciam personalidade misógina. Lembre-se, homens misóginos acreditam que mulheres merecem ser maltratadas e até sentem prazer nisso. Principalmente se elas têm vida sexual ativa. Essas para eles são a escória. Eles só têm algum respeito pela própria mãe se acreditarem que ela só fez ou faz sexo com o pai deles.

Eu estou falando sobre misoginia porque ninguém fala sobre isso. As pessoas falam sobre ódio por negros, ódio por nordestinos, ódio por gays, mas ninguém fala sobre o ódio mais comum em nosso mundo, que é o ódio por mulheres.

Agora, se depois de eu ter falado tudo isso sobre misoginia, você achar que tudo bem porque seu namorado é "só" machista...

Ser machista é muito ruim. Ser machista significa que ele realmente acha que mulheres são inferiores aos homens. Você tem que ter em mente que uma mulher namorando ou transando com um homem machista é a mesma coisa que uma pessoa negra namorando alguém racista. Não faz sentido, não é mesmo? Imagine então um homossexual se relacionando com um homofóbico. Impossível, não? Então por que você vai se expor a esse risco? Como você vai se envolver afetivamente com alguém que se considera superior a você? Como você vai permitir que essa pessoa toque seu corpo? 

Tenha em mente que você merece o melhor. E o melhor não é um homem machista, muito menos misógino.

Para encerrar, vou deixar o link para esse vídeo no qual o comentarista Luiz Carlos Prates fala sobre o quanto a imprensa ignorou o caráter misógino do massacre do Realengo. Por incrível que pareça, um homem reacionário foi um dos poucos a falar sobre isso na mídia.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Censura da Direita Conservadora



Mais uma vez, meu post sobre misoginia foi adiado. Aconteceu algo bastante peculiar entretanto, eu garanto.

Na última sexta, dia das crianças, eu estava navegando na net e topei com um tweet de Silas Malafaia sobre um tal texto de Reinaldo Azevedo. Fiquei curiosa e resolvi ler. 

Bem, o texto era um apanhado de crenças conservadoras. Eu sempre fico surpresa quando leio um texto de alguém de direita, porque esse pessoal acredita numas coisas muito estranhas, em geral parece até piada.

Aquela mulher mais rica do mundo mesmo, uma australiana que fez uma declaração há alguns dias... Gina Rinehart é o nome dela. Ela herdou um império do pai dela, mesmo assim se acha no direito de insinuar que quem quer ganhar dinheiro deveria trabalhar mais. Puxa, o que ela sabe sobre fazer riqueza do nada se ela já nasceu rica? Ela realmente acha que pessoas pobres têm preguiça de trabalhar? E não é só isso... Ela quer que o governo reduza o salário mínimo e os impostos das grandes empresas (como as dela), o que possibilitaria uma maior oferta de empregos.

Sim, e muito mais lucro pra ela, né? E pessoas que já são pobres trabalhando mais e ganhando menos, tendo menos poder de compra, menos tempo pra lazer, menos qualidade de vida. Enquanto ela continua com a consciência dela tranquila, porque, afinal, ela é bilionária, mas cria empregos. E os empregados dela só não ficam ricos porque são preguiçosos.

Será que é sempre essa a ideologia de quem vota na direita? Não sei. Nunca fiz nenhum estudo a respeito, mas posso falar por experiência pessoal que a maioria de meus amigos de direita nunca precisaram de assistência, pois já nasceram em famílias com situação financeira razoável.    

Em geral, pessoas pobres que votam na direita são pouco (ou nada) politizadas. Não entendem bem porque escolhem um ou outro candidato. Mas não votam em "comunistas" porque não querem perder o direito à pouca propriedade privada que têm. Acreditam numa suposta ameaça à democracia e confundem ditadura com esquerda, quando na verdade, o Brasil viveu uma ditadura de direita durante o terrível governo militar.

Contudo, certamente não é por acaso que na capital paulista o candidato José Serra conte com mais votos nos bairros mais ricos, enquanto Fernando Haddad seja mais popular na periferia. Os governos de direita têm uma tradição de manter as coisas confortáveis para os mais ricos, com pouco ou nenhum investimento em políticas sociais. Os ricos gostam disso porque não querem ver o dinheiro que pagam em impostos sendo investido em políticas que não os beneficiam.

Falando de São Paulo especificamente, o que os mais ricos querem é lugar pra andarem com seus carros. Transporte público pra quê? Eles não usam. Então eles ficam felizes quando o governo investe uma fortuna numa obra paliativa de alargamento da Marginal do Tietê. Porque aí eles pegam menos congestionamento e ganham mais tempo.

Mas não é só por causa do destino dado ao dinheiro público que os conservadores temem os governos de esquerda. Acontece que a esquerda tem um histórico de reconhecer minorias. Sim, dizer em alto e bom tom que negros, mulheres, homossexuais enfrentam dificuldades maiores na condução de suas vidas e procurar formas de conceder direitos iguais.

A direita não gosta disso. A direita se sustenta sobre a crença de que todos nós somos iguais por natureza e temos condições de chegar onde quer que desejemos por nosso mérito. É a chamada meritocracia. E assim, seus adeptos não precisam sentir culpa porque a maioria dos alunos nas melhores universidades são brancos, nem porque a maioria das crianças abandonadas são negras, nem porque a maioria dos cargos de poder são ocupados por homens e assim por diante.   

Normalmente, a ideologia política de direita carrega em si uma série de valores. São os chamados valores tradicionais da família. Por aí vem um certo desprezo pela homossexualidade e por mães solteiras, porque levam a representações de famílias não tradicionais. Aparece também a recusa em aceitar a legalização do aborto. Só que, ao mesmo tempo, ninguém quer que dinheiro público seja investido na construção de creches ou orfanatos. E também não aceitam a criação de leis que criminalizem a discriminação por gênero e orientação sexual, porque eles querem o direito garantido de discriminar à vontade. Como a direita acredita que a segurança deve ser obtida através da manutenção da ordem ("Eu vou colocar a Rota na rua!"), também costuma ser a favor de truculência policial, prisão perpétua e pena capital. Mas sem levar em consideração que um delinquente pode ser fruto de uma gravidez indesejada cuja mãe não pôde fazer o aborto e o abandonou, pois não achou creche para deixá-lo enquanto ia trabalhar. E assim, a direita permanece na manutenção dum ciclo vicioso no qual os ricos continuam ricos, os pobre continuam pobres e os ricos continuam com medo dos pobres. Medo de assalto, medo de greve, medo de revolução...

Após essa longa introdução, voltemos ao início. O acontecimento que me fez embarcar nessa viagem política foi um texto extremamente conservador. O texto em questão, escrito por Reinaldo Azevedo, defende o direito de líderes religiosos como Silas Malafaia orientarem seus fieis no que se refere à votação. Ele alega que esse direito faz parte do princípio de laicidade do estado. Menciona algumas coisas contra o PT, envenena contra a legalização do aborto, enfim, contra o progressismo da esquerda.    



Meu comentário não foi nada ofensivo ao autor do texto. Eu só apontava as incoerências ideológicas ali presentes. Afinal, a laicidade do estado justamente não permite que as decisões sejam tomadas em nome das convicções de uma minoria. Falei que nosso estado justamente não é laico porque o setor evangélico não permite a discussão de uma questão de saúde pública como o aborto. Também falei que não era uma atitude laica utilizar valores religiosos a fim de induzir votos. 
 A igreja católica costuma induzir seus fieis a não votarem na esquerda utilizando argumentos religiosos, e isso não é uma atitude laica nem de longe. Estranho, porque a esquerda sempre aposta na ideia de ajudar os mais pobres, e isso costuma ser estimulado por religiões. No entanto, tantas religiões cristãs aparecem com um discurso anti esquerda. Por que será, né?     


 
Eu não escrevi nada demais, mas o cara me censurou.
Sim. Um homem com mais de 50 anos, que escreveu pra Veja por muito tempo, cujo blog recebe cerca de 150 mil visitas diárias não consegue lidar com uma opinião diferente da dele. E pior, que opinião? Uma jovem escritora idealista, ilustre desconhecida, tem o poder de intimidá-lo a tal ponto. É até engraçado, né? Pois é.


Esses prints foram feitos por minha amiga Rita Candeu a fim de provar que Reinaldo Azevedo não aprova comentários discordantes. Pelas imagens, é possível perceber que ele sistematicamente edita esses comentários.

Ele conduz o processo de forma bastante agressiva. No lugar de meu comentário, ele escreveu uma mensagem simbólica que o coloca como um veneno e minha opinião como uma barata cascuda que foi eliminada por ele. Sejamos francos(as), toda a atitude dele é absurdamente infantil e insegura. Em primeiro lugar, minha opinião não vai morrer com o "veneno" dele. Em segundo lugar, fazer uma censura tão ridícula só mostra para o mundo o quão intolerante ele é. E agora que já sei disso, não vou mais perder meu tempo prestigiando o blog dele. Porque qualquer visita a um blog significa que alguém empregou seu tempo em sua leitura. Talvez ele nem se importe mais porque tanta gente lê o que ele escreve. Mas eu constumo publicar comentários contrários desde que não sejam anônimos e ofensivos. Porque acredito no direito a liberdade de expressão e porque tenho respeito por meus leitores.  


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/vigarice-intelectual-teu-nome-e-marilena-chaui-ou-falou-a-carminha-do-lixao-etico-do-petismo/#comment-2346497