segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Outono

Outono

 

Postada originalmente em 22/05/2008 às 10h53.


Mais uma vez; o recomeço.

Tudo nasce, tudo morre, tudo se quebra, tudo ressuscita, se desintegra, se reinventa, novamente, mais um ano.

Apenas quando o sofrimento acaba, é que ele realmente começa.

Nem posso evitar sentir saudades do sofrimento que me espera.

 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Rosa Sangrenta

Originalmente postada: Quarta-feira , 09 de Julho de 2008.

Rosa Sangrenta




Uma rosa.
Tão bela, tão suave, tão macia.
Uma rosa.
Tão frágil, tão doente, tão agressiva.
Ainda sangra, ainda sofre, agoniza sozinha.
Doce rosa triste. Não consigo evitar seu encanto.
A pétala é um afago, e o espinho é meu pranto.
Tento acariciá-la e no entanto
sou dilacerada por suas defesas pontiagudas.
Doce rosa triste. Não consigo evitar seu encanto.


Manutenção

Manutenção

 

 

Postada originalmente em 18/02/2008 às 13h23.

Quanto vale uma vida?

Tantos sacrifícios, exames, tratamentos, remédios... Pra quê tudo isso?

Pra continuar viva?

Será que vale a pena continuar viva?
Será que vale a pena continuar suportando todo este sofrimento?

 

Lana Del Rey - Ride: Análise

A cantora Lana Del Rey lançou há algum tempo o vídeo para sua canção Ride. O longo videoclipe, bastante cinematográfico, foi dirigido por Anthony Mandler, mas o roteiro é da própria Lana. Conta a história de uma cantora decadente e solitária que se prostitui, encontrando satisfação na companhia de desconhecidos.

O vídeo começa com um longo monólogo em off, narrado pela Lana. Segue o texto:  

"I was in the winter of my life, and the men I met along the road were my only summer. At night I fell asleep with visions of myself, dancing and laughing and crying with them. Three years down the line of being on an endless road to war. And my memories of them were the only things that sustained me, and my only real happy times. I was a singer - not a very popular one. I once had dreams of becoming a beautiful poet. But upon an unfortunate series of events I saw those dreams dashed and divided like a million stars in the night sky, that I wished on, over and over again, sparkling and broken. But I didn't really mind because I knew that it takes getting everything you ever wanted then losing it, to know what true freedom is. When the people I used to know found out what I had been doing, how I'd been living, they asked me why - but there's no use in talking to people who have a home. They have no idea what it's like to seek safety in other people - for home to be wherever you lie your head. I was always an unusual girl. My mother told me I had a chameleon soul, no moral compass pointing to north. No fixed personality; just an inner indecisiveness that was as wide as wavering as the ocean... And if I said I didn't plan for it to turn out this way I'd be lying. Because I was born to be the other woman: I belonged to no one, who belonged to everyone. Who had nothing, who wanted everything, with a fire for every experience and an obsession for freedom that terrified me to the point that I couldn't even talk about it. That pushed me to a nomadic point of madness that both dazzled and dizzled me."  

Tradução: "Eu estava no inverno de minha vida, e os homens que conheci ao longo da estrada eram meu único verão. À noite, eu adormecia com visões de mim mesma dançando e rindo e chorando com eles. Três anos viajando numa estrada sem fim em direção à guerra. E minhas memórias deles eram as únicas coisas que me sustentavam e meus únicos momentos felizes. Eu era uma cantora - não muito popular. Uma vez tive sonhos de me tornar uma bela poetisa . Mas, devido a uma infeliz série de eventos, eu vi esses sonhos frustrados e divididos como um milhão de estrelas no céu da noite, que eu desejei de novo e de novo,  brilhantes e quebrados. Mas na verdade eu não me importei, porque eu sabia que é preciso conseguir tudo  que você sempre quis e então perder para saber o que é a verdadeira liberdade. Quando as pessoas que eu conhecia descobriram o que eu estava fazendo, como eu estava vivendo, elas me perguntaram por que - mas não adianta falar com pessoas que têm uma casa. Elas não têm ideia de como é procurar segurança em outras pessoas - para que "casa" seja onde quer que você deite sua cabeça. Eu sempre fui uma menina incomum. Minha mãe me disse que eu tinha uma alma camaleoa, sem bússola moral apontando para o norte. Sem personalidade fixa, apenas uma indecisão interior que era tão grande e tão vacilante quanto o oceano... E se eu dissesse que não planejava que as coisas acabassem assim, estaria mentindo. Porque eu nasci para ser a outra mulher: Eu não pertencia a ninguém, que pertencia a todos. Que não tinha nada, que queria tudo, com um fogo para cada experiência e uma obsessão por liberdade que me aterrorizava a ponto de eu não conseguir nem falar sobre isso. Que me empurrou para um ponto nômade de loucura que tanto deslumbrou quanto me enlouqueceu".       

Fonte: Canal LanaDelReyVevo
O vídeo

Por mais que algumas coisas nele me incomodem, como a glamourização do cigarro e aquela desnecessária bandeira dos Estados Unidos usada como canga, devo reconhecer que a mensagem implícita é bastante progressista.

Fonte: Canal LanaDelReyVevo
No início do vídeo, Lana aparece num balanço de pneu cujo ponto de fixação fica invisível na tela. Conforme ela se balança, transmite a sensação de liberdade. Pelo texto narrado no início do vídeo, liberdade parece ser o objeto de valor da personagem. Ela diz não ter se importado com a perda de todas suas conquistas, porque é preciso perder tudo que se deseja para conhecer a verdadeira liberdade. Imagino que seja pela ideia de não se ter nada a perder. De fato, precisar dar satisfações às pessoas que amamos é um fator de aprisionamento. A liberdade total só pode ser atingida caso uma pessoa não tenha vínculos afetivos nem empregatícios; nenhum tipo de compromisso.
                                                                           
Fonte: Canal LanaDelReyVevo
Depois ela aparece na garupa dum motoqueiro esticando os braços para sentir o vento, o que reforça a ideia da busca pela liberdade. Parece ser uma associação com aquelas histórias sobre grupos de motoqueiros que andam de moto pelas rodovias que cortam o deserto dos EUA sem destino e sem relógio. Mais uma vez, a ideia da liberdade como ausência de comprometimento.

O tabu da prostituição

A parte mais interessante é a liberdade sexual da personagem. Ela aparece com quatro parceiros diferentes no vídeo. Na cena em que ela aparece no ponto aguardando um cliente, ela parece angustiada por pensar que não vai aparecer nenhum. É interessante porque quase nunca se pensa em como é para uma prostituta estar no ponto por várias horas esperando que algum cliente apareça. Mas Lana oferece uma prostituta humana, insegura e solitária.
Fonte: Canal LanaDelReyVevo
É bom lembrar que nos EUA a prostituição é ilegal. As pessoas podem ser presas por fazer programas ou sair com profissionais do sexo. Mas isso não é discutido no vídeo. É claro que é um absurdo criminalizar a prostituição, porque isso acaba tornando a situação das prostitutas ainda pior. Ainda mais se a gente considerar que a produção de filmes e fotos pornográficas é permitida no País. É uma grande hipocrisia tentar controlar a prestação de serviços sexuais no âmbito privado, quando é evidente que, na produção de vídeos e fotos, os envolvidos estão prestando serviços sexuais para entretenimento.

É mais curioso ainda que a personagem fale no monólogo final que "acredita no país que os Estados Unidos costumavam ser". Que país é esse? Os EUA em guerra fria com a antiga URSS? Os EUA antes do sistema capitalista começar a entrar em colapso? Não sabemos, mas pelo menos temos certeza de que não é um país onde a prostituição é uma profissão regulamentada. 



Cigarro

Fonte: Canal LanaDelReyVevo
A  personagem aparece fumando em vários momentos. Aparecer compartilhando um cigarro com um amante é uma constante nos vídeos da Lana. Neste fotograma, ela compartilha um cigarro com um cliente que joga pinball. Gostaria de saber em que lugar ainda é permitido fumar enquanto se joga pinball.

 Fumando no posto de combustível (Fonte: Canal LanaDelReyVevo)
 No fotograma seguinte, ela aparece fumando num posto de rodovia, daqueles que costumam receber caminhões principalmente. Fumar no posto de combustível realmente é sem noção, mas acho que acaba sendo interessante para caracterizar a personagem. Ela realmente não está nem aí para nada.  


Há alguns dias, notei que a Lana está aparecendo nos armários de cigarros de supermercados como garota propaganda do Marlboro. Não aparece o nome dela, mas quem a conhece a reconhece na foto.

 Não é surpreendente que ela esteja fazendo propaganda para a Philip Morris, pois a caixa de um Marlboro aparece explicitamente no clipe de "Chelsea Hotel Nº 2". Para mim é bem evidente que ela é uma personagem com potencial para trazer de volta o glamour jovem para o tabagismo. Ela fuma na vida real (embora diga que não fuma "de verdade"), gosta de fumar, acha chique e não tem nenhum problema em interpretar em todos os vídeos dela personagens que fumam o tempo inteiro. Parece que ela quer voltar para os anos 1950, quando todo mundo fumava o tempo todo em qualquer lugar e ninguém sabia que cigarro faz mal. Então, permita-me lembrar: O fumo é prejudicial à saúde.  



Infantilização

Fonte: Canal LanaDelReyVevo
Lana explora o fetiche da infantilização em vários momentos do clipe. Num deles, ela aparece no colo dum cliente bem mais velho que está tomando cerveja. Ele parece morar num daqueles hotéis em que pessoas com pouco poder aquisitivo moram nos EUA. Seria o equivalente às kits aqui no Brasil, só que pelo menos tem lugar pra estacionar. Em outro, ela aparece no colo dum homem bem maior que ela, que ainda penteia seus cabelos enfeitados com um laço de fita. Depois ela dança descalça com ele, parece uma menina dançando com pai. Tenho certeza de que a semelhança não é coincidência.

No final, há outra narração em off. Segue o texto:

"Every night I used to pray that I'd find my people, and finally I did, on the open road. We had nothing to lose, nothing to gain, nothing we desired anymore; except to make our lives into a work of art. Live fast, die young, be wild and have fun. I believe in the country America used to be. I believe in the person I want to become. I believe in the freedom of the open road, and my motto is the same as ever: I believe in the kindness of strangers. And when I'm at war with myself, I ride, I just ride. Who are you? Are you in touch with your darkest fantasies? Have you created a life for yourself where you can experience them? I have. I am fucking crazy. But I am free."      

Tradução: "Toda noite eu rezava para que eu encontrasse meu povo, e, finalmente eu consegui, na estrada. Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar, nada que desejássemos mais, a não ser transformar nossas vidas em uma obra de arte. Viva rápido, morra jovem, seja selvagem e se divirta. Eu acredito no país que os EUA costumavam ser. Eu acredito na pessoa que quero me tornar. Eu acredito na liberdade da estrada, e meu lema é o mesmo de sempre: Eu acredito na bondade de estranhos. E quando eu estou em guerra comigo mesma, eu dirijo, eu só dirijo. Quem é você? Você está em contato com as suas fantasias mais obscuras? Você criou uma vida para si mesmo(a) na qual possa vivê-las? Eu criei. Eu sou louca pra caralho. Mas eu sou livre."

A ideia é que ela encontrou uma galera que gosta de levar a vida sem eira nem beira como ela. Passam os dias se divertindo, bebendo, fumando, transando, andando de motoca, soltando fogos de artifício e dando tiros no deserto. Então ela não precisa mais curtir os ideais dela na mais completa solidão. 



Fonte: Canal LanaDelReyVevo
Ao longo da narração desse último texto, Lana aparece em várias cenas alternadas com os quatro amantes que aparecem no vídeo. O motoqueiro recebe especial destaque, correndo atrás dela com uma garrafa de Jack Daniel's na mão. Vários ícones da cultura dos EUA aparecem em todos os vídeos dela, Ride não é exceção. Temos tênis all star, jeans, camiseta com estampa da cerveja Budweiser, refrigerante Crush, armas de fogo, os carros e as motos...


Eu acredito que a Lana Del Rey seja uma personagem criada para conquistar o público dos EUA através do patriotismo. Como o País tem enfrentado uma certa recessão nos últimos anos, o complexo de superioridade da população levou um golpe forte. Por isso a tentativa de fazê-la parecer um fantasma dos anos 1950, algo como uma Audrey Hepburn moderna, fumando o tempo inteiro como se não soubesse que faz mal e se relacionando com homens bem mais velhos. Ela faz alusão ao assassinato de John Kennedy no clipe "National Anthem", no qual ela transita entre Jackie e Marilyn. Mas, ao mesmo tempo, ela traz um conteúdo transgressor por mexer com tabus da sexualidade e usar drogas. Então ela acaba agradando pela via do conservadorismo patriótico estadunidense e pelos ideias de liberdade da cultura do País. É brilhante, hein?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Gota a gota

Gota a gota

 

Postada originalmente em 30/01/2008 às 15h08.
Não é necessário pedir que eu me cale.
As palavras já escapam frágeis,
são apenas gemidos vertidos como lágrimas.

Selvagemente ferida,
carrego uma adaga cravada no coração.
Sou ridícula por tentar verbalizar
sentimentos sem qualquer tradução.

A contagem regressiva já começou:
Até a última gota
nesta ampulheta sangrenta.

O tempo de um devaneio.
Senti a lâmina gélida
e sei que ardeu.

Agonizando espedaçada e solitária
até a última gota de sangue.

 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dor

Dor


Postada originalmente em 25/01/2008 às 17h40.
Sem explicação.
Simplesmente dói.

 

Autofagia II

Autofagia II

 

Postada originalmente em 21/01/2008 às 12h34.
O sofrimento me atormenta,
sofrimento que eu busco.
Por que faço isso comigo?

Deixo um grito escapar
num espasmo de sinceridade,
já não consigo esconder
a violenta crueldade.

Já sangro,
aqui dentro a ferida arde,
nem tenho vergonha
a vontade de chorar invade.

Sequer consigo falar,
impossível verbalizar
tamanho o tormento.

O sentimento machuca
desde o primeiro momento,
desde que não nos conhecemos.

Se um dia vai inevitavelmente acabar
então por que insistimos em começar?

Por que toda esta dor
quando nós dois suspeitávamos
como o fim seria?

Essa dor surda,
fruto da incerteza.
Tenho medo de perder
o que não me pertence...

E o gineceu sempre morre,
não sem antes sangrar.
Mais um mês, ressuscita,
o coração ainda bate
tão cansado de sofrer,
apavorado,
porque quando cessa a aflição,
é que ela realmente começa.

Não existe amor.
São apenas provas mútuas, e
cada prova é um alívio.

Não sei nada sobre o amor.
Em cada mergulho nesta piscina
encontro a angústia por não saber nadar.

O amor é uma criação dos amantes,
não existe senão para satisfação dos enamorados...

A crueza destes sentimentos...

A ausência que corrói.

 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Covardia

Covardia

 

Postada originalmente em 29/12/2007 às 20h22.
Dezenas de formigas contra uma minhoca.

Eu posso não tê-la salvado. Mas matei todas as formigas que a atacavam.
Ela pode não sobreviver. Mas vai morrer com dignidade.

É engraçado nosso mundo, não?
Pessoas matam com armas de fogo, de maneira que seus adversários não têm nenhuma chance de defesa e são consideradas corajosas.

É um mundo inacreditável mesmo.

"Todo desejo é um desejo de morte." (provérbio japonês)

Uxoricídio

Uxoricídio


Postada originalmente em 15/12/2007 às 20h41.
O rancor provoca náusea,
corrói o coração,
atormenta os sonhos...
Como perdoar quem jamais pediu perdão?
Como esquecer a ferida que um dia foi aberta e até agora não cicatrizou?
Doente de mágoa, onde está teu algoz?
Arriscar-te-ias a provar o fel
de quem jamais se arrepende?
Escutarias que foste culpada por tuas feridas?
Vítima de crueldade gratuita e egoísmo inescrupuloso
eternamente amaldiçoada por ter dito a verdade?

O rancor ainda queima.

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Direto do lixo

Direto do lixo


Postada originalmente em 07/09/2007 às 11h33.
Mais uma imagem bonita.
Todas imagens podem ser bonitas.
Não existe fotografia ruim.
Toda fotografia cumpre algum tipo de função; pode ser "apenas" uma recordação.

É a fotografia além de sua função antropológica. É contestadora. Eu tenho que perguntar o que você tem feito para mudar a cultura. Ainda que você chegue à conclusão de que gosta da sociedade assim.

Por que permitimos? Tanta dor, por que permitimos? Por que aceitamos?

Eu publico um texto e uma foto e espero passivamente que alguém leia.
"É uma contribuição, é a minha opinião..."

Por que eu não faço alguma coisa?

 

Hermético

Hermético


Postada originalmente em 18/08/2007 às 09h04.
Nem tudo é fácil de entender.
É complicado.
Mas o quê nessa vida é simples?

Cada um/a tem suas razões para agir como age.
Cada um/a tem suas razões para machucar desta maneira.
Cada um/a enxerga o que quer e o que pode nesta fotografia.

 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Strawberry fields forever

Strawberry fields forever


Postada originalmente em 08/08/2007 às 18h52.
É doce e também azedo.
É vermelho e úmido.
Aroma escarlate remete à solidão da infância.

Sorri em meio à angústia;
chora de felicidade.

Paradoxo feminino...

Colorida e desbotada
surge uma imagem.

Tristeza?
Saudade?
Revolta?
Ira?

Ninguém ousou dizer.
Ninguém ousou olhar.
Era intenso demais.
Ninguém queria desperdiçar lágrimas com uma dor que não era sua.

Covardes.

Inimigo é quem nos faz sentir vergonha de nossos sentimentos.
Inimigo é quem ridiculariza nossos atos.
Inimigo é quem ri de nossas convicções.

 

Until the last drop of blood

Until the last drop of blood


Postada originalmente em 04/08/2007 às 09h03.
You’ve hurt my flower.
Your silver dagger has taken my heart to the grave.

Once you had what you wanted
You would never want it again.

My blood has been shed on your bed
Now you don’t want to lay me there.


YOU MADE USE OF ME THEN THREW ME AWAY!
HOW COULD YOU, BASTARD?
I FUCKIN’ HATE YOU!

Don’t come crawling, motherfucker!
It’s useless to cry now
because I’ll never forgive you!

You had your chance and you made me bleed
Now I want you to leave my life.

You should have thought before telling me those horrible words.

Everything you do comes back to you.
So whatever hurts your heart, remember me!

Because I’m still alive
It’s useless to bury me!

You’ve never deserved me,
You had no dignity!

I was a virgin
Naïve and lonely on your bed
Now I bleed until death.

Congratulations! You’ve brought a meaning to the word awkward in my life.

You were right!
I’m not your kind of girl: I’m a good person.
My face reminds you of how week you are.
Go ahead in your fake world of treasons.
You got what you deserve.

You don’t even love yourself, how can you believe you’re loved?

If I knew you hated me so much, I would have never given myself to you.

If you have no remorse, then you’re already lost and last hope is gone.

 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Lua Nova

Lua Nova

Postada originalmente em 15/07/2007 às 12h33.
Escuras ruas escondem obscuros segredos.
Mais uma esquina urbana e solitária:
semáforos, placas, veículos.
Tudo tão prevísivel,
todavia nem sempre visível.

A lua também se esconde, às vezes.

Desejos nascem, crescem e morrem.
Nem sempre a escuridão é suficiente para sufocar
o sentimento proibido.

A noite guarda as lágrimas da menina perdida
e seu amor cético.
Quando não há luz
ainda existe dor.
Nem sempre
o que não é visto pode ser esquecido.

Noite dos amantes
felizes e infelizes.

"Amei de maneira escura porque pertenço à terra"
Hilda Hilst

 

Broken rearviewmirror

Broken rearviewmirror


Postada originalmente em 05/07/2007 às 02h06.

Eu vi tudo mais claro
uma vez que você apareceu em meu espelho retrovisor.
Nunca me esquecerei daquele momento tão especial:
sua imagem se afastando...
a vida continuando...
eu seguindo em frente...
Em cortes, em luzes, reflexos viscerais.
Lágrimas não caíram;
não havia por que chorar.
Eu fui embora, e simplesmente não há como voltar.
Estado de graça é o momento da morte:
a oportunidade de transformar
de recomeçar
de reconhecer meus erros
e encarar o que eu fiz
e o que você fez.

 

sábado, 30 de novembro de 2013

Lesbianidade não é novidade...

Postada originalmente: Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 
 
"As quatro moças iam sair, quando um suspiro as suspendeu; mais alguém estava no toilette. 
D. Joaninha, medrosa de que uma testemunha tivesse presenciado a cena que se acabava 
de passar, voltou-se para o fundo do gabinete, e o susto logo se dissipou.
         __ Vejam como ela dorme!... disse.
         Com efeito, recostada em uma cadeira de braços, D. Carolina estava profundamente 
adormecida.
         A Moreninha se mostrava, na verdade encantadora no mole descuido de seu dormir, e à 
mercê de um doce resfolegar, os desejos se agitavam entre seus seios; seu pezinho bem à 
mostra, suas tranças dobradas no colo, seus lábios entreabertos e como por costume 
amoldados àquele sorrir cheio de malícia e de encanto que já lhe conhecemos e, finalmente, 
suas pálpebras cerradas e coroadas por bastos e negros supercílios, a tornavam mais 
feiticeira que nunca.
         D. Clementina não pôde resistir a tantas graças: correu para ela... dois rostos angélicos se 
aproximaram... quatro lábios cor-de-rosa  se tocaram e este toque fez acordar D. Carolina.
         Um beijo tinha despertado um anjo, se é que o anjo realmente dormia."
(A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo, capítulo XVI)

O mais interessante nesse trecho do livro, publicado pela primeira vez em 1844, é que o autor narra como sendo algo natural uma menina beijar os lábios de outra. Ele coloca um teor de inevitabilidade; Clementina simplesmente "não pôde resistir". O objetivo dele é mostrar que Carolina estava ouvindo a conversa das moças enquanto fingia dormir, e não pontuar a existência de desejos entre elas. É como se o desejo fosse já conhecido a priori. 

Claro que beijar alguém dormindo não é algo correto, porque um beijo é uma carícia sexual e, portanto, deve ser consentida. Mas a abordagem não é diferente de quando o príncipe desperta a princesa adormecida com um beijo.  
 


O que é isso?

O que é isso?

 

Postada originalmente em 27/06/2007 às 18h04.
É um ovo. Quero me divertir com ele.

Luz

Luz


Postada originalmente em 22/06/2007 às 19h16.
Esperanças.
O sol nasce e o sol se põe,
mais um dia
anoitece e amanhece: é a vida.
O que é a vida senão uma sucessão de momentos?
E lá se vai mais um dia.
E o que nos mantém vivos/as é a certeza do amanhã;
estamos eternamente condenados/as ao amanhã.
Quem sabe?
Talvez amanhã...

 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sexo como ferramenta de agressão

Postada originalmente: Sexta-feira , 02 de Maio de 2008.



Certa vez, precisei me submeter a um exame horrível chamado polissonografia, no qual eu deveria dormir sendo monitorada.
O processo é bastante simples. Momentos antes do/a paciente deitar, uma funcionária do Instituto do Sono aparece para “montar” a vítima, neste caso funesto eu. Vários fios são atados à cabeça, ao nariz, às pernas e até ao dedo indicador. Tudo para detectar sono REM através dos movimentos dos olhos, além de paradas respiratórias e movimentos involuntários das pernas.
Teoricamente a ideia é linda. Mas quando uma pessoa que sofre de insônia se mete numa encrenca dessas, o resultado é bem outro. Em primeiro lugar porque eu simplesmente não podia ir ao banheiro sem desligar os fios, logo precisava chamar uma funcionária sempre que precisava urinar, o que eu faço bastante.
Uma TV de plasma idiota era tudo que eu tinha para me distrair durante a insônia, visto que não podia nem andar até a escrivaninha ou acender a luz da merda do quarto (masmorra). E eu nem podia trocar o canal da TV porque o quarto estava sem controle remoto. Acabei deixando na MTV, e passava naquela noite um reality show ridículo chamado “Os quebradeiros”. Tratava-se de alguns moleques bonitinhos com idade inferior a 25 anos numa viagem ao litoral sadicamente documentada pela MTV.
Em alguns momentos eles apareciam falando com a câmera, como num depoimento solitário, e foi num desses momentos que um elemento particularmente misógino me surpreendeu. É claro que eu não me lembro de seu nome, ele não tem tanta importância assim. Para mim ele foi muito mais um objeto de estudo do que um personagem cuja opinião tenha alguma relevância.
Era o garoto que “pagava de gostosão” na turma. Na verdade nem era tão bonito assim; tinha um rostinho normal e aquele corpo sarado que qualquer moleque de academia tem. Mas ele tinha tido sorte: duas garotas haviam aceitado ficar com ele na mesma noite.
No depoimento ele disse algo assim [sic]: “Chovendo mulher por aqui... Uma quase se jogou nos meus braços, disse que tava passando mal, eu falei que tinha o que ela precisava... Depois ela veio querendo ficar no meu pé, cheio de mulher aqui eu vou ficar só com ela? Até parece... Outra veio pular onda aqui perto, coitada...”
O discurso dele parece refletir um certo ódio pelas mulheres. Na verdade as garotas são vítimas dele, é como se ele fosse um caçador. Depois que deu uns beijinhos, acabou, é só pra dizer para os outros que ele conseguiu.Tanto que ele até chama de "coitada". E é coitada mesmo.
Até a MTV o ridicularizou, colocando uma trilha sonora romântica nas cenas dele. Mas não posso esperar que um homem corajoso o suficiente para se mostrar um grosseirão egocêntrico na TV tenha inteligência o suficiente para entender que foi na verdade ridicularizado. A MTV nem deveria ter dado espaço para um depoimento chorume como esse, mas, pelo menos, agora quem o conhece pessoalmente sabe que tipo de gente ele é.
Nenhuma mulher com mais de 10-³% do cérebro ocupado por amor-próprio aceitaria ficar com um sujeito que ratificou orgulhosamente sua postura de desrespeito ao feminino.
Um outro exemplo de misoginia grotesco aparece no filme “O Signo da Cidade” (2008) de Carlos Alberto Riccelli. Esse filme ainda está em alguns cinemas, e eu recomendo. Apesar de seguir a manjada fórmula de histórias dramáticas entrelaçadas, oferece muito material polêmico.
Eu destaco a cena em que dois boys saem de um A3 e surram uma travesti. Alguns momentos antes eles conversavam animadamente sobre uma garota que havia transado com um deles e sido dispensada. “Eu vou querer no meu pé?”.
Os homens usam muito essa frase. O que eles chamam de “ficar no pé” na verdade é o carinho que a mulher oferece, e que eles recusam. Depois se queixam de solidão. Pessoas que se gostam conversam todos os dias. Eu converso com meus amigos e amigas quase todos os dias.
Eu realmente não consigo entender como alguém consegue transar com alguém por quem não tem nenhum respeito. Não é questão nem de amar ou estar apaixonado. É usar o sexo como violência, como se fosse uma ferramenta de agressão. Não é mais sedução, é estupro. 

Mistérios urbanos

Mistérios urbanos


Postada originalmente em 20/05/2007 às 16h04.
Na rua da Consolação, consegui uma foto no mínimo curiosa.
Pelas ruas de São Paulo vou me surpreendendo. E qual será a surpresa que me aguardará amanhã?
Da morte não sei o dia, mas sei que o mistério do amor é ainda maior...
A única alternativa é transformar devaneios em imagens e textos...

 

Solidão na zona oeste

Solidão na zona oeste


Postada originalmente em 19/05/2007 às 19h32.
É sobre solidão.
É sobre angústia.
É sobre ser notável e intensa.
É sobre ser íntima e ferida.
É sobre ser abandonada por ser impressionante.
É sobre sofrer por ter fortes sentimentos e cair numa cadeia visceral.
É sobre perseguir, envenenada e sangrando, o conforto da liberdade.
É sobre reconhecer nos carros que correm a impossibilidade de ser feliz.
É sobre o crepúsculo compulsório no Viaduto Antártica e a expectativa da noite que antecede a manhã de amanhã, quando não me esquecerei da dor que outrora sentira.

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Doce fantasma

Doce fantasma

Postada originalmente em 17/04/2007 às 19h09.
O que é um corpo sem alma? Um cadáver vivo?

E o que é uma alma sem corpo? Um reflexo vazio num espelho vagabundo de um banheiro qualquer?

E uma alma perdida para o amor? Onde ela vai parar?

Ela simplesmente vaga se o amor não a aprisiona.

Competição injusta:
Alma x Corpo;
Coração x Mente.

Paixão também mata.

 

Um olhar escatológico

Um olhar escatológico

Postada originalmente em 15/04/2007 às 14h42.
Que haja terror enquanto houver perseguição injusta.

Ninguém vai me dizer o que fazer, muito menos o que sentir...

E quem me julgar vai sentir o gosto amargo da não complacência.

A vida é um espelho. O sangue foi derramado injustamente.

O sangue de Jolene. Pobre Jolene. Ela não teve culpa.

Ela não merecia.

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Violência contra a Mulher: Um Sintoma Ideológico

Dia 25 de novembro foi instituído como o Dia Internacional de combate à Violência contra a Mulher. Nessa data, várias sociedades do mundo praticam ações de conscientização sobre a necessidade de se combater a violência contra a mulher.  

A violência contra a mulher, também chamada de violência de gênero, é motivada por ideologias que oprimem as mulheres. Trata-se de agressões de vários tipos praticadas contra mulheres porque elas são mulheres. Os agressores podem ser tanto homens como mulheres, mas é mais comum que sejam homens, principalmente o parceiro ou ex. Familiares também estão entre os agressores mais frequentes.  

O entendimento da mulher como inferior acarreta uma coisificação das mulheres, o que leva homens a  desenvolverem sentimentos de propriedade sobre suas parceiras.  É esse sentimento que "justifica" socialmente os chamados "crimes de honra", nos quais um homem mata uma mulher que não o quer mais, indignado com a possibilidade de que ela faça sexo com outro homem. É baseado no lema "se não é minha, não será de mais ninguém". 

Muitas vezes, esses sentimentos aparecem com relação a mulheres da família. Alguns abusadores de suas próprias filhas dizem abertamente que não tiveram filhas "para outros homens", numa evidente demonstração de que veem suas filhas como objetos dos quais apenas eles têm o direito de se servir.   

A pesquisadora Glaucia Fontes de Oliveira afirma em seu artigo "Violência de gênero e a lei Maria da Penha": "A violência de gênero pode ser observada como uma problemática que, necessariamente, abrange questões ligadas à igualdade entre sexos. É, pois, um tema com elevado grau de complexidade, tendo em vista que é fortemente marcada por uma elevada carga ideológica."

Quando se fala em violência contra a mulher, frequentemente surgem argumentos de que, estatisticamente,  maior número de homens é vítima de violência. O que é preciso esclarecer é que a natureza das agressões sofridas por homens não é motivada por sua masculinidade. Existe inclusive a violência homofóbica, que é praticada contra homens vistos como "afeminados", ainda que não sejam gays. Isso acontece justamente porque esses homens são, por alguma razão, percebidos como longe dum ideal de masculinidade que os protegeria dessas agressões.


É importante mencionar que violência não se refere apenas a agressões físicas como tapas, socos, chutes, empurrões, entre outros golpes. Atentados contra a liberdade individual como manter uma mulher em cárcere privado ou esconder bolsas, documentos, sapatos, chaves, dinheiro com o objetivo de impedi-la de sair de casa são formas de violência que não necessariamente envolvem agressão física. A violência também pode ser verbal, no caso de insultos e apelidos pejorativos pelos quais o agressor pode chamar a vítima. 

Violência psicológica inclui todo tipo de ação praticada a fim de provocar humilhação e/ou manter a mulher oprimida. Inclui afirmar que a mulher tem defeitos no corpo, que precisa emagrecer ou fazer plástica, principalmente na frente de outras pessoas, insinuar que ela é burra, desqualificar sua profissão, ridicularizar seus hobbies, quebrar suas coisas, matar seus animais de estimação, afastá-la de sua família e amigos, fazer discurso sobre a inferioridade feminina, dar ordens para que ela faça tarefas domésticas, colocar defeitos no serviço que ela fez, entre outras grosserias. 

Violência sexual abrange insistir em fantasias sexuais que ela não curte, inclusive obrigá-la a ver filme pornô, forçar relação sexual em momentos ou de formas que ela não deseja, ameaçar aborto caso ela engravide ou forçá-la a abortar.

Elícia Santos, secretária de Mulheres da Federação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura afirma: “As pessoas acham que a violência só é pancada. A sociedade não observa pressão, xingamento e violência política”.

"Humilhado" quem? As vítimas são sempre mulheres.

 A divulgação de imagens íntimas de mulheres é um tipo de violência de gênero conhecida nos EUA como revenge porn. Essa prática tem vitimado muitas mulheres recentemente, inclusive aqui no Brasil, onde já existem projetos de lei para coibir esse tipo de agressão. É violência de gênero porque se estabelece sobre a diferença no tratamento dado à sexualidade feminina. Em muitos desses vídeos, o próprio agressor aparece na relação sexual. Mas todo o bullying da sociedade é direcionado à mulher.

A violência contra a mulher precisa ser combatida de maneira específica por se tratar de um tipo de violência cometida contra uma minoria, ou seja, motivada pela condição de opressão em que um grupo se encontra. É fundamental que sejam discutidas novas formas de se coibir essas práticas, seja através da criminalização de condutas agressivas, seja através da conscientização da população acerca do quão nocivos certos valores podem ser. A violência de gênero contribui para a manutenção da opressão das mulheres através da cultura do medo. Apenas uma mobilização pelo fim dela pode ensejar sociedades seguras para o estabelecimento da igualdade de gênero.   

Sangue inocente cruelmente derramado

Sangue inocente cruelmente derramado


Postada originalmente em 07/04/2007 às 17h58.

Por aquela garota que não insultou mas foi insultada.
Por aquela garota que não violentou mas foi violentada.
Por aquela garota que não manipulou a situação e preferiu conservar a dignidade.
Por aquela garota que não fez ninguém triste mas entristeceu.
Meu sangue. 
Sangue de verdade. Derramado, vermelho e sofrido.
Ofereço meu sangue em troca de sua liberdade, em troca de sua alegria, em troca
de sua vida.
Em troca da paz que um desejo outrora sentido
e agora translúcido perturbou.

Fly butterfly

Fly butterfly

Postada originalmente em 21/03/2007 às 08h07.


Se fosse possível a liberdade...
Eu sou uma borboleta que não pode voar mais porque feriram minhas asinhas...

Condenada, prisioneira, as patinhas cansadas, as asas coloridas e translúcidas, as antenas caídas...

Liberdade? Eu sou a borboleta escrava de meus desejos, borboleta...

Tentando em vão voar...

Borboleta.

 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Humanizando

Humanizando

Postada originalmente em 04/03/2007 às 11h42.
Se um saquinho de gergelim pode ser humanizado
com simples traços de caneta hidrográfica...

Você também pode ser humanizado(a).

Você também pode ser um ser humano humano.

É só tentar entender o que o próximo sente;
imaginar como seria se o problema dele fosse seu...
Se você fosse pobre;
Se você fosse negro(a);
Se você fosse analfabeto(a);
Se você fosse uma pessoa com deficiência;
Se você fosse gay;
Se você fosse transexual;
Se você fosse mulher;

Se você fosse leoa brava com juba cor de sangue, cerejinha fashion, baiana da Áustria.

Só eu sei a dor que eu sinto.