sexta-feira, 7 de junho de 2013

Crime de ódio contra mulheres: A realidade que ninguém vê

O sujeito só matava mulheres. O perfil das vítimas era sempre o mesmo. Mulheres jovens que estavam sozinhas no ponto de ônibus. Ele as matava a facadas. A última delas, uma jovem de 17 anos, não resistiu ao corte na garganta e morreu logo em seguida.

César Tralli deu a notícia no SPTV. Ele mencionou o perfil das vítimas. Ele sabia que o elemento só matava mulheres. Sabia também que ele não roubava nada. Mas em nenhum momento ele falou que o desgraçado matava mulheres porque elas são mulheres. Ele não falou que esses crimes foram feminicídios. Ele não falou que o criminoso é misógino.

Ele noticiou crime de ódio como crime comum.

Não é preciso dizer que o criminoso será julgado por crime comum. Provavelmente por homicídios triplamente qualificados:  por motivo torpe (Por que ele as matou mesmo? Ah, porque elas são mulheres jovens e bonitas. Mas a justiça vai concluir que ele as matou por nada), por meio cruel, com uso de facas, e sem condições de defesa para as vítimas.

As moças morreram. Ele vai passar uns seis anos na cadeia.

Todos os dias acontecem, em média, doze feminicídios no Brasil. No Canadá, acontece um a cada seis dias.

Mas não existe misoginia.