sexta-feira, 29 de março de 2013

The Host de Stephenie Meyer - Resenha

The Host
Stephenie Meyer - 619 páginas - Little, Brown and Company


Resenha

Uma nova abordagem

03/03/2011

Este livro aborda de maneira completamente nova o tema clichê da invasão alienígena.

Enquanto estávamos acostumados com a forma aterrorizante eternizada pelo cinema, na qual assistíamos ao drama de humanos vendo seus amigos e parentes tomados por ETs, Meyer nos conta a história da perspectiva da alienígena. E ela é um doce.

Senti muita pena dela, fiquei com raiva dos humanos intolerantes e chorei muito no final.

A narrativa apresenta o diálogo entre parasita e hospedeiro, sendo bastante inovadora. Não é maniqueísta e explora diversos lados de uma mesma questão. Recomendo este que, para mim, é o melhor livro da autora.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Guilty Pleasures de Laurell K. Hamilton - Resenha

Guilty Pleasures
Laurell K. Hamilton - 266 páginas - Orbit


Resenha

Repleto de descrições

27/02/2011

Essa é minha primeira resenha no Skoob. E este é o primeiro livro que terminei de ler desde que me juntei à rede recentemente.

Por incrível que pareça, eu ainda não tinha lido nenhum livro da Hamilton. Não por falta de vontade, mas porque sempre tenho muita coisa pra ler. Sendo apaixonada por vampiros como sou, não posso deixar de recomendar a leitura deste livro, primeiro da série Anita Blake.

A autora constrói muito bem uma atmosfera de terror, repleta de descrições minuciosas. É bastante cinematográfico, fico estarrecida que ninguém ainda tenha tido a boa idéia de adaptar. Anita Blake é uma protagonista muito interessante e de fácil identificação.

Mas não é para os fracos. Quem não gostar de cenas perturbadoras, torturas e violência estilizada não vai gostar. Se você não está neste time, recomendo!

quarta-feira, 27 de março de 2013

The Claiming of Sleeping Beauty de Anne Rice - Resenha

The Claiming of Sleeping Beauty
A. N. Roquelaure , Anne Rice - 272 páginas - Plume


Resenha

Atinge o âmago

03/03/2011

É uma história muito forte, na qual violência e sexo se mesclam quase que completamente.

É impossível ficar indiferente ao paralelo traçado pela autora. Excitante em alguns momentos, repulsivo em outros, genial o tempo inteiro.

Este já é, sem dúvida, um dos maiores clássicos da literatura erótica mundial.

Recomendo!

terça-feira, 26 de março de 2013

Sedução de Eduardo Nunes - Resenha

Sedução
Eduardo Nunes - 160 páginas - Novo Século


Resenha

Simplesmente machista; nem perca seu tempo

06/09/2012

Um livro extremamente machista. Na verdade, é um manual para que as mulheres aprendam a serem submissas e recatadas, e, dentro deste contexto, obterem algum prazer. Mas sem lutar contra o machismo jamais, apenas aprendendo a conviver com ele, já que o autor considera impossível destruir a cultura asquerosa que ele retrata.

Só não me arrependo completamente de ter lido porque é bom saber da existência de homens com a mentalidade torpe descrita nessas páginas. Assim eu posso pelo menos evitar me relacionar com esses vermes. E duas dicas boas: masturbar-se uma vez por dia e exigir sexo oral do parceiro antes da penetração.

O autor está parcialmente certo em afirmar que as mulheres também compactuam com o machismo, inclusive transmitindo isso na educação de seus filhos(as). Mas é importante considerar que mães não educam sozinhas, filhos e filhas também são responsabilidade dos pais. E não são todas mulheres que fazem isso; mas a cultura é sempre fruto de uma constante reiteração. E ele definitivamente não me convenceu de que se uma mulher tem "muitos" parceiros ou "poucos" namoros com duração superior a seis meses, ela tem menor valor. Nesses casos ele recomenda esconder isso dos homens. haha Ou seja, sejamos hipócritas!

As mulheres precisam ser inspiradas a ter liberdade de escolha sexual, e não a ter vergonha de quem realmente são. Esse livro é uma das maiores provas de que a sociedade ainda espera que as mulheres sejam bonitas, arranjem um marido e façam sexo apenas com ele. Eu o joguei fora; nem tive coragem de trocar com alguém porque outras pessoas não merecem ler uma mensagem tão pessimista.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Deixe-me viver de Luiz Sérgio - Resenha


Deixe-me viver
Irene Pacheco Machado - 257 páginas - Recanto


Resenha

Uma visão conservadora

11/03/2013

Basicamente, um livro contra o aborto. Ele tenta convencer as mulheres de que elas devem naturalmente amar o feto dentro delas ainda que ele tenha sido formado lá a força num estupro, pois "tudo é consequência de nossos atos".

O espiritismo, apesar de tão progressista em alguns aspectos, acaba oferecendo mais uma visão religiosa de que mulher não tem direito a nada além de ser mãe, como se isso fosse um papel natural. Além disso, o livro reitera a visão de senso comum de que as mulheres são culpadas pela violência sexual que sofrem. Fica tudo nas costas da mulher, como se o pai do tal feto não tivesse nada a ver com o assunto, como se ele não estivesse rejeitando a paternidade, como se ele também não tivesse se descuidado no momento de evitar.

Esse livro foi uma das razões pelas quais abandonei a doutrina espírita. Acho muito irresponsável um livro com esse tipo de visão num país tão saturado de machismo. Mas é sempre bom lembrar que a melhor fonte de informação sobre o espiritismo é a codificação de Kardec. Muitos livros supostamente escritos por espíritos se mostram nada mais que obras de ficção.

Pelas lembranças que tenho de quando eu praticava o espiritismo, a doutrina pregava que a ciência deve sempre ser mais valorizada que convicções religiosas. E a ciência hoje diz que um feto não tem consciência, pois não tem cérebro, pelo menos até a 12ª semana de gestação. Além disso, eu me lembro de ter lido em algum lugar, acho que no "Livro dos Espíritos", que se deve optar sempre pela vida da mulher gestante caso a gravidez ofereça riscos à sua saúde.

Mapa do aborto no mundo: autoexplicativo

Gostaria de lembrar que o aborto ilegal não impede que aconteçam abortos, pois há estimativas de que, anualmente, entre 729 mil e 1,25 milhão de mulheres se submetam ao procedimento no Brasil. A única diferença é que, sendo ilegal, 250 mulheres morrem por ano devido a complicações aqui no país. Por isso o procedimento já é legal em 67% do mundo, principalmente em países desenvolvidos.

Recomendo o livro Freakonomics de Steven Levitt e Stephen J. Dubner como contraponto.

Atualização 18/10/2014

Trecho de um comentário da leitora Gle que considero bastante relevante:

Existe um livro chamado Livro dos Espíritos (Allan Kardec) que é tipo um "perguntas e respostas" do Espiritismo, onde as perguntas são feitas por Médiuns para os Espíritos e eles respondem. Veja essas abaixo e suas respectivas respostas:

344. Em que momento a alma se une ao corpo?

— A união começa na concepção, mas não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico, que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos.

346. Que acontece ao Espírito, se o corpo que ele escolheu morrer antes de nascer?

— Escolhe outro.

353. A união do Espírito com o corpo não estando completa e definidamente consumada, senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo uma alma?

— O Espírito que deve animar existe, de qualquer maneira, fora dele. Propriamente falando, ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir.

354. Como se explica a vida intrauterina?

— E a da planta que vegeta. A criança vive a vida animal. O homem possui em si a vida animal e a vida vegetal, que completa, ao nascer, com a vida espiritual.

357. Quais são, para o Espírito, as consequências do aborto?

— Uma existência nula e a recomeçar.

358. O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?

— Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.

359. No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?

—É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.



sábado, 23 de março de 2013

Como o julgamento de Mizael virou julgamento de Mércia

Neste vídeo, faço alguns comentários sobre o tratamento que as vítimas de feminicídio recebem nos julgamentos de seus assassinos. Mulheres frequentemente são responsabilizadas pela violência que sofrem, e a defesa dos acusados procura aproveitar essa brecha cultural para inocentá-los. 

Não abordei no vídeo, pois já estava muito longo, a questão da "testemunha ômega" no julgamento de Mizael. Gostaria de deixar registrado aqui alguns comentários, entretanto. "Testemunha ômega" foi o nome pelo qual foi chamado o homem que viu um carro sendo jogado dentro da represa após ter ouvido gritos de mulher. A pergunta que faço é por que ele não chamou a polícia ao ver algo tão suspeito? 

As pessoas reclamam da incompetência da polícia, mas não querem ajudá-la. Por medo de se comprometer, as pessoas simplesmente se omitem diante dum assassinato. No caso da Daniela Perez aconteceu algo semelhante. Frentistas do posto em que ela foi capturada por Guilherme de Pádua viram o momento em que ele lhe deu um soco e a carregou para dentro do carro. Se eles tivessem ligado para a polícia, ela poderia ter sido salva. 
É muito frustrante pensar em quantos crimes horríveis poderiam ser evitados se as pessoas se envolvessem no que não lhes diz respeito. Então, vamos combinar: Se você vir algo suspeito como, por exemplo: 
  • alguém (ou um carro) sendo jogado num rio;
  • uma pessoa sendo agredida e jogada num carro;
  • um veículo correndo muito como se fugisse;
  • um veículo pela madrugada emparelhando com outros carros pra verificar quantas pessoas estão neles; 
  • um pedestre abordando condutores de carros no semáforo fechado;
  • ouvir gritos;
  • presenciar uma briga;
Você vai ligar 190 na hora. Pode ligar de orelhão, não precisa nem se identificar. Só faça a sua parte para evitar um crime. Não é trabalho só da polícia.   



sexta-feira, 8 de março de 2013

Feminicídio: Crime comum?



Não é segredo que nossa sociedade não tem legislação específica para crimes de ódio. Quando uma pessoa é morta por fazer parte de um grupo historicamente oprimido, os(as) assassinos(as) são acusados(as) de homicídio simplesmente, sendo completamente ignorada a motivação do crime.

Feminicídio ou femicídio é o assassinato de uma menina ou mulher POR ela ser do gênero feminino, ou seja, o assassino tem "raiva" dela por alguma questão relacionada a sua feminilidade. Ontem, o famigerado goleiro Bruno foi finalmente condenado. Em julgamento, ele confessou o que foi feito com a mãe de um filho dele. Eliza foi assassinada de forma cruel e sem chance de defesa por ter tentado cobrar dele os direitos legais de seu filho. Eliza foi vítima de um feminicídio. O corpo dela foi esquartejado e dado para cães comerem.

Entregar um corpo para que animais se alimentem dele tem um forte significado simbólico. Claro que, na prática, é uma tentativa de praticar um crime perfeito: "Não há corpo, logo não há assassinato". Mas no âmago, implica um ódio muito grande.

O cadáver é sagrado em nossa cultura. É peça fundamental para os ritos de luto. Esquartejar um corpo é uma violação, transformá-lo em alimento para animais é sugerir que aquela pessoa não significa nada. É preciso ter um desprezo muito grande pela vítima para se chegar a tal ato sem qualquer remorso.

Fiquei profundamente surpresa ao ler numa página do portal UOL que o time Boa estava considerando contratar Bruno caso ele fosse inocentado. É preciso muita coragem para contratar um autor de um crime tão hediondo, com características de psicopatia. Mas o pior é que a matéria sequer mencionava os crimes dele, e, na lateral direita da tela, apareciam fotos de uma sessão chamada Belas da Torcida. Eram fotos de partes do corpo feminino, nunca aparecia uma moça inteira: seios num decote ousado, bunda com um fio dental...

Partes do corpo feminino adornando uma matéria sobre um feminicida que mandou esquartejar o corpo da mãe de um filho seu. Talvez isso explique porque em nenhum momento o texto condenou ou questionou o interesse do Boa em contratá-lo. Talvez, inconscientemente, esquartejar mulheres já faça parte de vários processos simbólicos de nossa sociedade.

No final do ano passado, foi banida do Facebook uma foto que mostrava o corpo de uma mulher cortado ao meio. A proposta da postagem original numa revista australiana era perguntar aos leitores da revista (homens) qual a parte preferida. Lendo os comentários, é fácil perceber o quanto a publicação de tal conteúdo valida o discurso misógino do público.

Todos esses exemplos estabelecem uma relação cultural muito grave. O corpo feminino é tão objetificado, que retalhá-lo em várias partes, seja simbólica ou literalmente, não rende uma sanção social. Mesmo sofrendo um julgamento legal, Bruno ainda contou com o apoio de homens que o admiravam como jogador de futebol. É como se homens tivessem o direito de dispor do corpo feminino da forma que lhes convêm, e, caso a mulher engravide após ele ter transado com ela sem preservativo, ele se acha no direito de destruí-la para não assumir as consequências financeiras de seus atos.

Nosso sistema jurídico não discute a possibilidade do criminoso ser psicopata e ainda permite que um homicida deixe a cadeia após ter cumprido apenas um terço da pena. Não existe nenhum tipo de agravante para feminicídios, embora aconteçam diariamente no país cerca de dezesseis crimes do tipo. Assim, nossa sociedade segue validando de forma velada a constante destruição do feminino, ignorando diariamente a necessidade de criminalizar a discriminação por gênero e de tipificar o feminicídio.