domingo, 28 de abril de 2013

Ser grosseiro no trânsito prova masculinidade?

É senso comum a ideia de que mulheres têm menos capacidade que homens para dirigir veículos. Ouvimos isso desde a infância, embora não exista nenhum comando no carro que dependa dum pênis para ser acionado. Além disso, o seguro de carros dirigidos por mulheres é mais barato devido à menor probabilidade de acidentes graves.

Historicamente, mulheres sempre foram reservadas para o espaço privado, enquanto que o espaço público era dos homens. Mulheres no espaço público, até hoje, ainda são agredidas porque incomodam os homens.

Pode parecer bobagem falar que em 2013 homens não gostam de ver mulheres na rua. Mas a verdade é que isso é um processo em muitos casos inconsciente. Por isso existe uma reação tão intensa de rejeição a mulheres na rua, e isso começa quando ainda somos meninas.

O assédio nas ruas, que começamos a enfrenter muitas vezes antes da puberdade, não se trata apenas de "elogios". Esse assédio é um processo através do qual homens mostram para mulheres o lugar delas; mostram que, se elas desejam estar no espaço público, esse espaço pertence a eles.

É claro que a misoginia social também é um fator responsável pelo especial prazer que se tem em agredir meninas e mulheres. E o trânsito é um excelente lugar para se fazer isso. Em primeiro lugar porque, dentro do carro, as pessoas têm a ilusão de estarem protegidas, como num tanque.  Em segundo lugar porque se convencionou que ser agressivo(a) no trânsito é "legal".

Por que? Simples, porque a agressividade é uma característica culturalmente atribuída ao masculino, e tudo que é masculino é visto como superior. Então o jeito que homens costumam dirigir é o mais "certo" ou "eficaz". O jeito que mulheres costumam dirigir "atrapalha", porque o legal é andar por aí arrebentando todo mundo, que é coisa de "macho".

Agora eu vou provar por absurdo como essa ideia de agressividade no trânsito é estúpida:

"Considerando que é legal dirigir correndo, haja vista o sucesso do automobilismo como esporte, então é legal andar correndo na rua, porque ser maratonista é um esporte que faz muito sucesso também".

Não é verdade, ninguém anda correndo na rua a menos que esteja treinando pra uma maratona. Isso é uma contradição, logo provamos por absurdo como dirigir feito louco(a) é uma atitude estúpida. Afinal, a gente tira carteira de habilitação, e não carteira de piloto de Stock Car.

Uma vez, eu vinha pela seguinte rua, sendo que a preferência era minha. Olhando na foto (Google maps), é possível ver que não há nenhuma placa de "Pare" ou "Dê a preferência" para mim, certo? Há apenas uma faixa de pedestres, diante da qual devo parar caso haja alguém esperando para atravessar a rua, mas caso contrário, tenho o direito de seguir em frente. 


Bem, é muito raro o carro que vem pela outra via parar porque ela tem maior movimento. Ali do outro lado da rua, tem uma placa de "Dê a preferência" para quem vem, mas ela é sistematicamente ignorada. E o pessoal que vem por lá realmente acha que quem vem desse lado deve parar. 

Um dia, eu estava entrando nessa via. Estava vindo um elemento (acompanhado de uma mulher) num gol GV preto. Quando eu estava entrando, mesmo a preferência sendo minha, ele jogou o carro e gritou "Vaca" para mim. 

Para mostrar a placa diante dele:


   
Tudo isso para provar que a preferência era minha. Mesmo assim, o elemento se achou no direito de me agredir verbalmente e me discriminar por gênero. Por que?

Porque é especialmente prazeroso para esse tipo de homem agredir mulheres. A questão do trânsito é só um pretexto. Não importa como a mulher dirige. Pode ser uma piloto, o desgraçado vai achar que ela dirige mal só porque é uma mulher. 

Ah, e uma dica especial: Se o rapaz que você está pegando xinga outra mulher assim, termine a relação com ele. Se xinga uma, xinga todas. Misoginia não é seletiva, tenha sempre em mente.   

Encerro dizendo a minhas colegas condutoras que não se preocupem. Não importa como vocês dirijam, vocês nunca conseguirão agradar, então, façam o que é melhor para vocês. Dirijam de forma responsável e cooperativa, contribuam para um mundo melhor e mais seguro, e, principalmente, desconsiderem toda e qualquer tentativa de agressão misógina.

Anexo baliza:

O Posto BR desenvolveu um aplicativo para o Facebook chamado Estaciona Bonito. É bem legal para treinar estacionar em vagas paralelas, que é uma manobra meticulosa e exige uma certa experiência. Vou deixar uma receitinha: Procure uma vaga com pelo menos 6 bloquinhos de calçada. Você deve contar enquanto emparelhada com o carro atrás da vaga. Se a vaga tem o tamanho bom, siga em frente, deixando uma distância lateral de aproximadamente um metro. Emparelhe com o carro da frente da vaga de modo que as lanternas traseiras dele estejam no início de seu vidro traseiro. Não vá mais para a frente que isso enquanto não tiver prática. Gire a direção de modo que os pneus virem para o lado da vaga e engate ré. Siga até que o carro esteja quase perpendicular à vaga. Então vire a direção para o lado oposto ao da vaga e continue dando ré. Vá devagar para não bater, mas se você tiver voltado o volante no ponto certo, o carro deve ficar arrumadinho de primeira. ;)

Se enconstar na guia é porque você foi muito na primeira manobra e deixou pra voltar depois do ponto. Se ficar longe da guia, é porque você voltou a direção muito cedo. Se o carro estiver torto, mas praticamente dentro da vaga, é só voltar a direção toda para o lado da guia e ir um pouco pra frente que ele fica reto. Se não, você vai ter que sair e começar de novo. Mas não vai ter jeito, você vai ter que fazer isso muitas vezes até aprender. Comece em vias largas, mas não se preocupe com pessoas impacientes. Todo mundo um dia começou.        

sábado, 13 de abril de 2013

Culpabilização da vítima: Horror nas Maldivas, horror no Brasil

Há algumas semanas, o caso de uma menina de 15 anos sentenciada a ser chicoteada nas Maldivas chocou o mundo. Ela havia sido estuprada pelo padrasto, inclusive engravidou. Em vez de ser amparada e receber apoio psicológico, ela foi condenada por ter "feito sexo antes do casamento". Fornicação, que pelas leis do país em questão é passível de punição, necessita da participação de pelo menos duas pessoas. Mas em 2011, 90% das pessoas sentenciadas à receber chicotadas eram mulheres.

Felizmente, quase dois milhões de assinaturas numa petição online conseguiram sensibilizar o presidente das Maldivas, e ele pediu que o promotor responsável reconsiderasse o caso. É claro que o caso dessa garota é só mais um dentro duma cultura explicitamente patriarcal. Mas a pressão mundial nesse caso abre um precedente importante que pode resultar numa mudança da forma como as mulheres são tratadas nas Maldivas.

Por mais estranho que pareça, é muito comum que vítimas de estupro sejam responsabilizadas pela agressão. O filme Preciosa (2009) retrata perfeitamente uma situação assim. O pai de Preciosa começa a abusar dela aos três anos, e a mãe dela fica com raiva da filha por ciúme do marido. O homem prossegue com o abuso sistemático da garota, que se sente tão indefesa que nem ousa reclamar, lutar ou gritar. Sua mãe então vê o estupro como sua filha transando com seu homem.

Há uns dois dias, Gerald Thomas abusou da panicat Nicole Bahls diante das câmeras. Aparentemente, um homem que gosta de exibir o pau em público achou que uma moça de vestido curto diante dele está lá para ser molestada. Muitas pessoas comentaram que Nicole não tem o direito de reclamar, pois trabalha no "Pânico".

Eu sei que o programa "Pânico" é estruturalmente misógino. Apresenta mulheres como animais domésticos que não têm direito de pensar. Mas não é porque o programa é um lixo que os funcionários vão perder o status de pessoas humanas. Mesmo porque, toda essa justificativa só aparece quando uma mulher é molestada, mas quando homens apanharam fazendo suas famosas "brincadeiras", rolou processo judicial com direito a amplo apoio midiático.

Existe uma tendência social em se colocar respeito como algo por que mulheres precisam lutar, como se não fosse um direito natural de cada ser humano. E isso acontece por uma razão ao mesmo tempo muito simples e muito trágica: mulheres não são entendidas como seres humanos. Mulheres precisam o tempo inteiro provar que merecem entrar num restrito grupo ao qual homens têm acesso desde o nascimento pela mera posse de um pênis.

Tive a oportunidade de ler um excelente texto abordando esse lamentável incidente. Gostaria de destacar a explicação que o autor, Marcos Donizetti, dá sobre mulheres que culpam vítimas de estupro e/ou abuso sexual. Afinal, o que acontece na cabeça de mulheres que culpam a vítima? Acontece que o abuso de outra mulher deixa claro para todas as outras o quanto elas não estão seguras:

"Essa mulher tem uma fantasia de segurança que funciona nos seguintes termos: 'se eu me comportar segundo a Lei, não sofrerei abuso. Preciso agir segundo o código, calar minha voz e esconder meu desejo, e assim estarei segura'. Diante da violentada, essa fantasia cai por terra, 'se ela foi abusada, eu também poderei ser', e esse pensamento é por demais insuportável. A saída mais rápida é culpar essa outra que não cumpriu o código, uma defesa ruim que mantém a ilusão de segurança" (DONIZETTI, 2013).
Mulher se apresentando como objeto
    
Sendo assim, podemos pensar que a culpabilização da vítima acaba sendo um mecanismo de defesa das mulheres numa patriarquia. Enquanto a violência sexual continuar sendo utilizada no controle da sexualidade feminina, a culpabilização das vítimas continuará trazendo alívio para uma parte das mulheres escravizadas pela cultura.

Não sei se existe uma solução, mas ainda sonho com o momento em que as mulheres se perceberão e reconhecerão umas às outras como pessoas, e não como seres de segunda classe. Porque neste dia, toda mulher será digna de respeito independente do número de parceiros, das roupas que veste, ou do trabalho que exerce, simplesmente por que mulheres são humanas.

Uma pessoa nunca se coloca como objeto. Os outros é que a encaram como tal.
 
 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Legalização do aborto no Brasil


O aborto induzido é um tema terrivelmente tabu na sociedade brasileira. Temos uma legislação que torna a mulher que provoca aborto uma criminosa, o que é um dos maiores absurdos do país. Vou começar do começo, porque esse assunto é muito importante, uma questão de saúde pública urgente.

A nossa lei está entre as mais atrasadas do mundo, comparável com países da África e Oriente Médio, sendo ainda do ano 1940:

Mapa do aborto no mundo: autoexplicativo
CP - Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940

Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico:
Aborto necessário
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

Fonte: http://www.jusbrasil.com.br


Apenas em 2012 foi descriminalizado o aborto em caso de feto anencefálico (sem cérebro), e isso já foi uma vitória. O que isso significa? Que todas as pessoas envolvidas numa tentativa de aborto fora dessas condições serão processadas criminalmente.

Felizmente, existem discussões em torno de mudar a legislação. Existem inclusive aspectos socioeconômicos a serem pensados em torno da questão. 

Sejamos francos(as). As mulheres não abortam porque acham muito divertido passar por um processo invasivo e doloroso; elas não acordam um belo dia e dizem: "Oh, que belo dia para fazer um aborto". Elas abortam porque não têm condições de levar adiante uma gravidez naquele momento. Um bebê é uma pessoa, uma enorme despesa financeira, uma responsabilidade para uma vida. Inclusive, impossibilita que a mãe trabalhe, porque ela precisa cuidar dele. Se essa criança nascer e for abandonada pela mãe, o que vai acontecer com ela? Existe algum programa social? Não... Essa pessoa vai virar "criança de rua", potencialmente um(a) criminoso(a), que passa seus dias usando drogas pra não sentir frio e fome.

O que ninguém fala sobre essa questão é: "E o pai do feto?". Não, ninguém quer forçar o pai do feto a ser pai. Ninguém questiona porque ele não quer o possível bebê. Todo mundo julga a mãe, que vai segurar o rojão de ser mãe solteira caso o bebê nasça. Na página da notícia da descriminalização do aborto no Uruguai, uma pessoa comentou: "Fecha as pernas". Como se mulheres ficassem grávidas sozinhas! Por que ela não falou: "Não enfiem o pau por aí"?

Porque a sociedade responsabiliza a mulher, e apenas a mulher, por cada gravidez. E ela que precisa se cuidar. "Amarra tua cabra que meu bode anda solto", já dizia o velho dito popular. Os homens podem andar por aí fazendo filho, ninguém acha errado, ninguém cobra. 

Felizmente, hoje existe o exame de DNA. Antes dele, vários homens não assumiam suas paternidades respaldados por uma cultura machista e misógina, até hoje ainda presente: A cultura de que mulher não deve gostar de sexo. Mulheres devem se comportar como bonequinhas que satisfazem os maridos. Apenas os maridos. Não podem fazer sexo fora do casamento.

Homens, não. Homens podem transar com quem bem entendem. Mas com quem eles vão transar se as mulheres que "se dão ao respeito" não podem transar com eles? Ora, com as mulheres que não se dão ao respeito: prostitutas e mulheres de menor valor que topam fazer sexo casual. Que eles podem engravidar e abandonar.

Você pode dizer que isso tudo é coisa do passado, mas quando tentamos discutir a legalização do aborto no Brasil, os argumentos que surgem estão, de maneira velada, embasados nessa ideologia. Quando o importante de tudo isso é que: "O aborto mata 250 mulheres por ano no Brasil. Estima-se que entre 729 mil e 1,25 milhão de mulheres se submetam ao procedimento anualmente no Brasil. De acordo com estimativa da International Planned Parenthood Federation (IPPF), que atua em 170 países, o governo gasta cerca de R$ 35 milhões por ano com questões relacionadas a abortos inseguros."
Informações: Último Segundo IG

Não importa a minha opinião sobre aborto (que eu faço questão de não declarar) ou a sua. Abortos acontecem clandestinamente. E acarretam mortes de mulheres vivas, não só de fetos que talvez nasçam. Fetos que talvez nasçam mesmo, porque 25% dos fetos são abortados naturalmente no primeiro trimestre da gestação, fase mais delicada. E olha só o detalhe: não têm funeral nem atestado de óbito. Por que será?

As correntes reacionárias alegam que as mulheres têm direito a seu corpo até o momento que têm uma vida dentro delas. Bem, o feto é uma vida, mas não uma pessoa. Na verdade, nós temos células vivas em todo o corpo! Quando um homem bate punheta e goza, milhões de células vivas escorrem e morrem. O embrião é um monte de células, tanto que se faz pesquisa com célula tronco. Só começa a virar ser humano, pessoa, a partir da 13ª semana de gestação, que é quando se forma o cérebro. Sabe quando a pessoa tem morte cerebral, mas o coração ainda bate, e médicos até cortam pra doar os órgãos? Então, o feto é a mesma coisa. O coração bate, mas não tem cérebro. E enfrentar uma gestação é algo que somente uma mulher pode escolher fazer. Ninguém tem o direito de forçar pelo simples fato de que ninguém pode viver isso por ela.

A única verdade é que a proibição do aborto serve como ferramenta de controle do comportamento sexual feminino. Sim, porque como se ouve por aí: "mulher pega barriga, homem não pega nada". Se não temos o direito de abortar, teremos mais uma razão para não "abrirmos as pernas" por aí: O medo de uma gravidez indesejada.

Agora vou falar sobre os rapazes. Todo mundo sabe que são raros os que ficam radiantes diante da notícia da paternidade, não é? Fora quando existe um planejamento, lidar com o pai do feto por si só acaba sendo uma tortura pra maioria das moças. Nunca engravidei, mas mesmo assim, alguns de meus ex-namorados se mostraram bastante hostis a essa possibilidade. Já ouvi amigos meus dizerem abertamente que, caso uma garota engravidasse deles, eles tentariam coagi-las a abortar independente do que diz a lei.

Percebe o peso dessa afirmação? O cara não se importa se a moça vai presa. Também não se importa com a possibilidade de ela morrer ou ficar estéril como consequência de um aborto clandestino. Ele não está nem aí pra ela. Só quer saber de não arcar com as consequências de seus atos.

Pensando nisso, resolvi escrever um guia para ajudar a evitar problemas.

Guia Gravidez Indesejada

Sei que na adolescência é muito difícil perceber que aquele rapaz lindo é um mau-caráter. Por isso, vou apontar alguns comportamentos que servem como alerta. Afinal, uma das melhores formas de se evitar uma gravidez indesejada é se relacionando com um parceiro responsável.

Cuidado se ele:

·         não gosta de usar preservativo e quer que você tome pílula por conta disso;

·         fala sobre "tomar um abortivo" como se fosse tomar um refresco;

·         chegou a perguntar se você abortaria;

·         não gosta de assumir responsabilidades;

·         não quis fazer teste de HIV e outras DSTs;

·         quer transar com você menstruada pra poder "gozar dentro" sem risco de gravidez.  

           Tudo isso são indícios de que ele não se importa com sua saúde. Ele não quer usar preservativo porque quer sentir sua vagina molhadinha, mas não se importa com os efeitos colaterais que os hormônios das pílulas podem ter sobre você. Fora que, se ele não usa com você, são boas as chances de que ele não use com outras e até possa transmitir alguma doença. Abortivo é algo muito sério. Pode ter consequências graves. Se ele acha que abortar num país onde o aborto é ilegal é assim simples, ou ele é um inconsequente ou um misógino. Talvez as duas coisas.

Antes de transar:

·         Vá a um(a) ginecologista e peça a prescrição de uma pílula anticoncepcional apropriada pra seu organismo e orientação para tomá-la corretamente;

·         Não conte a seu namorado/ficante/peguete/amante que você está tomando;

·         Exija sempre que seu parceiro use preservativo. Você também pode usar preservativo feminino, que é um plástico a ser colocado dentro da vagina. Mas não os use simultaneamente;

·         Existem postos de saúde que fornecem preservativos de forma gratuita e explicam como usar a camisinha feminina;

·         Leve seu namorado pra fazer teste de HIV com você. É uma prova de amor. 

Caso a camisinha estoure, você tenha se esquecido de tomar sua pílula do dia há mais de 12 horas, ele não se controle e goze dentro...

Você deve tomar um contraceptivo de emergência em até 72 horas. Se você tomar em até 24 horas, ela tem uma eficácia de 94%. O nome referência é Postinor®. Tem a opção com uma ou duas pílulas; eu recomendo o de duas pílulas porque distribui a dosagem e evita efeitos colaterais desagradáveis. Mas se já passaram as primeiras 24 horas, pode ser mais certo tomar a dose única, pois fará efeito mais rápido.
Já existe genérico mais barato, o Levonorgestrel, além de vários similares. Na dúvida, você pode ir até o Pronto Atendimento mais próximo e passar num(a) clínico geral, eles podem prescrever. Também pode conversar com o(a) farmacêutico(a) na drogaria e pedir os nomes dos similares e genéricos mais baratos disponíveis. Você pode comprar sem receita, mas não se esqueça de que isso é um procedimento de emergência e não deve ser usado sempre. É uma carga bastante elevada de hormônios que pode trazer problemas à sua saúde.   

Caso a menstruação não chegue:

Faça um teste de gravidez imediatamente. Você pode comprar numa drogaria ou ir a um médico;
Caso o resultado seja positivo, a possibilidade mais segura, caso não deseje manter o feto, é viajar para um país onde o aborto seja legal. Mas é preciso agir rápido. Atenção, não compre remédios abortivos na internet, pois podem ser falsificados;                                                                          

Infelizmente, hoje o sistema no Brasil é hipócrita assim. Pessoas ricas aproveitam para conhecer a Europa ou os EUA quando precisam abortar. Pessoas pobres passam por humilhações e riscos.

Nos EUA, o aborto é legal desde 1973. O partido conservador de lá, o Republicano, é contra o aborto legal, inclusive em caso de estupro, mas é a favor da pena de morte. Isso porque eles acreditam que a sociedade deve controlar os indivíduos. O partido liberal, o Democrata, é a favor da legalização do aborto, pois acredita que as liberdades individuais não devem ser controladas por valores da sociedade. Ambos os partidos são de direita.

Nos anos 1990, foi feita uma pesquisa que relacionou a queda da criminalidade nos EUA à legalização do aborto. Isso porque muitas crianças que nasceriam rejeitadas pelos pais, e que assim não teriam boas condições de vida, não nasceram. O livro Freakonomics de Steven Levitt e Stephen J. Dubner conta tudo.  

O que acontece é que os reacionários falam muito em "salvar o bebê", mas só têm esse amor todo enquanto o bebê está no ventre da mãe. Porque depois que a criança aparece debaixo dum viaduto cheirando cola, essas mesmas pessoas acham "desagradável" vê-las ali. E acham legal quando elas são vítimas de truculência policial. E são a favor de pena de morte e prisão perpétua. E acham que mãe solteira não merece respeito. E acham que gente pobre é pobre porque tem preguiça de trabalhar e que o governo não deveria gastar dinheiro público em programas sociais.

Diante dum cenário tão urgente, peço que assinem essa petição pela legalização do aborto no Brasil. Vamos acabar com essa política elitista que mata muito mais do que salva.

P.S - Recentemente, o diretor de uma escola abusou duma garota de 13 anos. Ela está com 14 anos, teve um filho dele. Ele foi apenas condenado a pagar U$79,00/mês de pensão para o bebê e saiu livre. Ele é pai de um político. Lá, Rosana Alvarado luta pela legalização do aborto.

domingo, 7 de abril de 2013

Poupatempo Guarulhos - Resenha

O Poupatempo de Guarulhos ajudou bastante os(as) moradores(as) de Guarulhos, pois antes o mais próximo era o da Luz. Oferece vários serviços: RG, Carteira de trabalho, CNH, atestado de bons antecedentes... Tem também uma agência da Bandeirante (companhia de energia elétrica). No pátio da entrada tem até uma lanchonete.

Normalmente, sou bem atendida. Mas quando precisei tirar um RG, tive problemas para conseguir a isenção de taxa. Como eu havia sido servidora pública, levei meu atestado de exoneração. A funcionária disse que não valia, que só servia carteira de trabalho. Eu tentei argumentar que uma servidora pública após ter deixado o emprego não teria isso na carteira de trabalho, mas não adiantou. A funcionária foi consultar uma tal supervisora e voltou dizendo: "Ela disse que você tem que estar pagando taxa".

Foi muito desagradável ter tido um direito negado por despreparo dessas funcionárias, portanto recomendo muita cautela. Peça sempre que assinem e/ou carimbem os documentos que você apresentar e sempre anote o nome dos responsáveis. É importante para um eventual processo judicial.

Há estacionamentos por perto e pontos de ônibus na porta.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sapatos: Algumas soluções

Hoje vou falar sobre uma questão que atinge, mais cedo ou mais tarde, toda mulher: o salto alto. Usar ou não usar?

Salto alto realmente faz mal. O uso diário pode acarretar várias sequelas, pois ele sobrecarrega os joelhos e leva a uma alteração do centro de massa do corpo. O ideal é guardar os saltos muito altos e finos para ocasiões especiais, nas quais você vai ficar bastante tempo sentada. 

No dia a dia, é melhor usar sapatos sem saltos ou com saltos baixos e grossos. O salto anabela também oferece mais sustentação para os pés.

A questão é que não se deve abrir mão de saúde em nome de beleza. Mesmo porque, beleza sempre foi e sempre será questão de gosto. Padrões de beleza ainda são, até hoje, utilizados para controlar mulheres. Sapatos com salto reduzem a mobilidade das mulheres. Será que saltos altos não são considerados bonitos porque restringem nossa liberdade?

Há alguns anos, eu soube de uma palmilha de transferência de peso fabricada nos EUA chamada Insolia. Ela  tem sido vendida no Brasil há alguns meses, e eu já comprei alguns pares. A ideia dela é bastante simples: distribuir o peso do corpo igualmente pelo pé.

Quando usamos saltos, o peso do corpo fica concentrado no peito do pé. O que essa palmilha faz é dividir o peso para o calcanhar, trazendo um alívio para os dedos. Ela também tem um efeito corretivo na postura.

Pesquisei bastante a respeito. Os desenvolvedores dizem que a colocação de Insolia nos sapatos aumenta em aproximadamente três vezes o tempo de utilização. Ou seja, aqueles escarpins de bico fino que você só aguenta usar por 15 minutos passariam a ter uma tolerância de 45 minutos.

Claro, as palmilhas não fazem milagre. Se os sapatos são ruins, talvez seja melhor aposentá-los logo. Ela redistribui o peso, mas não corrige problemas de atrito.

Eu achei uma ideia legal, mas não deu certo no Brasil. Eu tenho alguns palpites para as razões disso. Logo de cara, o preço estava muito alto. Como a palmilha precisa ficar fixa no calçado, é preciso um novo par para cada par de sapatos. Pagar R$49,90 mais frete, que foi o preço inicial, é inviável. Além disso, o menor tamanho, o "P", serve sapatos 35-36. Assim, as muitas mulheres que calçam 33-34 tinham que utilizar um tamanho maior.

O site brasileiro ainda está vendendo, agora por R$10,90 o par, mas só até acabar o estoque. Uma pena. Acho que se o produto fosse recolocado enfatizando as questões de saúde e não somente o conforto, conseguiria um público maior no país.    

Eu experimentei. Acho que é um bom investimento nos pés. Mas mesmo com elas, não acho legal usar saltos por muito tempo. O meu conselho é que, se você vai andar muito, use sapatos baixos e confortáveis. Falo isso porque tenho um par de sapatilhas Via Uno que acabam com meus pés. São baixas, mas o atrito tira pele dos tornozelos, e o bico, apesar de redondo, aperta os dedões. Só consigo usar por pouco tempo e com fita protetora. A verdade é que vários tipos de sapato podem machucar os pés, inclusive tênis e chinelos. O único jeito de descobrir é experimentando.