quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Menstruação: O tabu

Uma das mais femininas realidades de nosso mundo é a menstruação. O corpo feminino convive com ela por todo seu período reprodutivo; ela está sempre sinalizando, ciclo após ciclo, que uma gravidez não ocorreu. 

Mas afinal, por que ficamos menstruadas? Simplificando bastante, o útero se prepara para uma gestação a cada ciclo. Caso nenhum espermatozoide fecunde o óvulo, ele morre. O corpo então "entende" que a gravidez não aconteceu e elimina essa preparação cerca de duas semanas depois. Sendo assim, a menstruação é um sintoma de que seu corpo está funcionando bem, pois é parte do ciclo reprodutivo. A menarca, que é a primeira menstruação, só começa a vir quando a mulher (às vezes ainda menina) começa a ovular.    

A menstruação é uma mistura de sangue e tecido do útero. Esse tecido já não tem mais função no corpo, então precisa ser eliminado. Às vezes, a gente sente cólica por causa dos movimentos que o útero faz para eliminá-lo. Deitar com uma bolsa de gel morna sobre a barriga costuma aliviar essas dores.

O ideal é conversar com o/a ginecologista, mas existem remédios que são vendidos sem prescrição médica que podem ajudar. Eu tenho usado ibuprofeno 400mg e tenho tido bons resultados. A vantagem dele sobre o Buscopan® (Butilbrometo de Escopolamina) é que o Buscopan® é anti-espasmódico, então pode prender o intestino de pessoas predispostas. Já o ibuprofeno é anti-inflamatório, então age em todas as dores do corpo, inclusive as cólicas. A Boehringer Ingelheim lançou o ibuprofeno sob o nome fantasia Buscofem®, mas é o mesmo ibuprofeno vendido com outros nomes. A única diferença é o marketing direcionando o produto para o público feminino.

Eu sei que cada uma de nós responde à menstruação de uma forma diferente, mas eu gostaria de questionar a rejeição à menstruação. Toda essa ideologia de que menstruação é algo ruim tem raízes misóginas, e nós devemos sempre nos colocar contra manifestações misóginas. A menstruação é parte da feminilidade, por que não abraçá-la como tal? Somos mulheres, ficamos menstruadas e ponto final. Quando estamos em idade reprodutiva, se a menstruação para de vir, excluindo a possibilidade de gravidez, isso é um sintoma de alguma doença. Anorexia, anemia, só para citar alguns exemplos. Mulher que menstrua é mulher nutrida o suficiente para menstruar.   

O que proponho é que encaremos a menstruação como parte da essência de ser mulher, não como um estorvo. Ter uma atitude positiva diante do período menstrual pode até mudar nossas sensações ao longo dele, pois boa parte do sofrimento sempre é psicológico. Por que não aproveitar os seis dias menstruada para pegar mais leve e ser mais complacente com si própria? Talvez aceitar os sinais do corpo, relaxar, fazer o trabalho imprescindível, mas sem estresse. 

E é bom lembrar, a menstruação não impossibilita a atividade sexual. É importante usar preservativo, pois é maior o risco de transmissão de doenças devido à presença de sangue, mas esse já é um cuidado de sempre, né? No caso de penetração na vagina (ou ânus) com os dedos, recomendo usar luvas descartáveis ou colocar uma camisinha no(s) dedo(s). E lembre-se de proteger o lençol com uma toalha, caso manchas sejam um problema. Mas eu vou escrever mais sobre isso num texto sobre sexo na menstruação.  

Esse assunto tem muito a ser discutido. Ainda pretendo tratar das implicações dos ciclos menstruais dentro do paganismo. Também prometo um vídeo falando sobre o Inciclo, aquele coletor menstrual que tem sido comentado como uma alternativa para os absorventes. Já fiz o pedido, estou aguardando a entrega.

domingo, 27 de outubro de 2013

Eliminadas do ENEM e a misoginia

Postada originalmente no blog Jesus Manero
Hoje aconteceu o primeiro dia de prova do ENEM 2013. Repetindo o erro do ano passado, dezenas de candidatos(as) postaram fotos da prova no Instagram, o que acarreta a eliminação sumária. Tudo bem, é uma coisa idiota de se fazer. Mas de modo algum justifica o tipo de comentário que aparece nas fotos.

No caso da foto ao lado, vários homens (sim, porque só homens fizeram esse tipo de comentário) ridicularizaram a candidata sugerindo que ela seria funcionária das redes Mc Donald's e Bob's. Bem, eu gostaria de saber em que uma pessoa pode ser depreciada por trabalhar em praça de alimentação. Trata-se de um trabalho digno e honesto. Mas aí, pra valorizar trabalho, a pessoa precisa conhecer trabalho, né? ;)

O mais chocante aqui foi um caso de misoginia explícita. E eu só sei que se trata duma candidata por causa do comentário deste elemento, pois o nome dela foi embaçado na foto. Eu gostaria de chamar atenção para o comentário circulado em vermelho. 

O comentário diz que a garota "tomou no cu" e a chama de "puta". Assim, por nada. O que uma garota de dezoito anos fez pra merecer todo esse ódio? Muito simples. Ela tem clitóris. E isso incomoda o usuário profundamente. Então ele buscou um termo que a discriminaria através da conduta sexual para ofendê-la. Como afirma Zanella:


Nas mulheres, como vimos, os xingamentos prescrevem
(pela oposição, controle), na esfera
pública, a passividade em relação à sua sexualidade, daí que os piores xingamentos atribuídos tenham caráter de atividade, tais como "puta", "galinha", "piranha" e equivalentes (ZANELLA, 2008).



Chamar mulheres por esses termos constitui um tipo de violência de gênero. É o equivalente a chamar uma pessoa negra de "macaca". E o fato de que as pessoas fazem isso com naturalidade não as exime de responsabilidade sobre o ato. 

Só que insultar pessoas pela internet pode render um processo criminal por injúria e difamação. E esses homens constroem provas contra si próprios, sem perceber que a garota pode processá-los e garantir pelo menos um ano da faculdade dela. São verdadeiros gênios.

Mas infelizmente, independente de justiça ser feita ou não, estamos diante de um problema social grave. São homens comuns, desses que a gente cruza no dia a dia, que se sentem protegidos na internet para insultar mulheres. Exatamente como aqueles que se sentem protegidos dentro do carro pra insultar a gente no trânsito.

Creio que a única forma de acabar com esse tipo de violência é mudando a cultura no que se refere à sexualidade feminina e ao respeito às mulheres como seres humanos. Porque eu não tenho dúvidas de que quando um homem xinga uma mulher por algum desses nomes, ele não a vê como pessoa. 

Postada pela página Humor Crítico
Atualização: Olha só a postagem com a qual topei agora a pouco. Fizeram um meme relacionando meninas que dormem na fila para shows e que se atrasaram para a prova do ENEM. E são as meninas mesmo, porque as fotos são de meninas e uma das frases escritas diz: "Pra fazer o ENEM chega atrasada". 

Não dá pra alegar que é uma "piada" genérica, porque colocaram o adjetivo "atrasada" no feminino. E todo mundo sabe que, em português, fica tudo no masculino sempre, não é? E se a gente reclama que a empresa está colocando tudo no masculino, dizem que as feministas são chatas, porque a língua é assim mesmo.
Placa no banheiro feminino do Shopping Internacional
 












Mas na hora de fazer um meme ridicularizando, é facinho encontrar o lugar das mulheres na língua, né?

Não preciso dizer que homens de várias idades se atrasaram ontem. Pode ser que eles tenham sido mais discretos, e jornalistas tenham escolhido mostrar as meninas que choravam, porque é mais legal mostrar alguém que chora copiosamente do que alguém que não demonstra tanto a frustração. E essa é só uma possibilidade.


Também não preciso dizer que homens acampam na fila para shows. Na fila do U2 não tem sempre um bando de marmanjos tocando "Sunday Bloody Sunday"? Ah, é demais, né? Não é aleatório. É que é divertido tirar sarro de mulheres.

Tudo bem, atraso em dia de concurso é uma mega bobeira. Mas acredite, acontece. Conheço várias pessoas que se atrasaram. Tenho um amigo que pegou o caminho errado quando levava a filha para fazer a prova da Fuvest, e a menina perdeu a prova. Os dois choraram. É compreensível. Porque se a pessoa se atrasa, nem tem a chance de fazer a prova, é bastante frustrante. Mas não teria problema brincar com isso, se não tivesse um viés preconceituoso.  

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PLC 5555 - 2013

A facilidade do compartilhamento de vídeos e fotos na internet propiciou o surgimento de uma nova modalidade de violência de gênero: a divulgação de imagens íntimas de mulheres com intuito difamatório. O PLC 5555 - 2013 pretende tornar esse ato de violência (e de traição) um tipo de violência doméstica enquadrada na lei Maria da Penha. Faz sentido. O ato é predominantemente cometido por companheiro ou ex, é até meio óbvio que se trata de violência doméstica.

O site Votaweb permite que internautas opinem sobre projetos de lei. É bastante interessante checar a pesquisa feita pelo site porque é possível ver a cara da mentalidade brasileira por gênero e por estado. Claro que é uma amostra enviesada, já que só vota no site quem tem acesso à internet e investe tempo logando, mas não deixa de trazer bastante informação devido ao tamanho. Aliás, é até legal porque a gente sabe que quem tem acesso à internet tende a ter maior poder aquisitivo, então dá até pra ter uma ideia do perfil da amostra.
     
Eu já tinha feito um vídeo comentando o assunto, mas resolvi postar um texto também porque os prints da votação da lei no  Votaweb são muito interessantes e merecem ser compartilhados. Neste print, é possível notar que duma amostra de 4274 homens que votaram, 67% deles são contra a lei. Sério.

Votos dos homens











Pela amostra do Votaweb, só 1/3 dos homens são pegáveis... haha E pior que tinha homem perguntando nos comentários qual lei protegeria os homens. Fala sério, esses caras têm algum problema grave de distorção da realidade. Homem querendo proteção legal contra esse tipo de crime seria como mulheres exigindo cobertura de câncer de próstata pelo convênio.

Logo em seguida, percebemos que a maioria das mulheres é a favor. Das 1736 que votaram, 86% são favoráveis.

Votos das mulheres

É evidente que há recorte por gênero nesse tipo de crime, visto que é praticado quase que exclusivamente por homens e contra mulheres. Os criminosos sabem que a sexualidade feminina ainda é controlada em nossa sociedade e se utilizam disso para agredir mulheres num ato de extrema misoginia.

O mais preocupante nessa história toda é que a maioria dos homens considera que as mulheres merecem ser punidas pelo ato sexual com a humilhação pública. Pior, talvez esse crime já esteja na lista de maldades que eles pensam em cometer contra mulheres caso sintam vontade. Por que alguém seria contra punição para um crime caso não pensasse em cometê-lo?

É ruim saber que a média dos homens têm uma mentalidade repulsiva no que se refere a mulheres. Mas nem tudo é má notícia. Afinal, a votação pela web é só uma pesquisa. Quem decide não é a maioria da população. Mulheres constituem uma minoria, e direitos de minorias não são escolhidos pela maioria. 

Todo o machismo do rock'n'roll

Eu venho de uma família bastante musical. Cresci ouvindo os discos de meus pais, que sempre foram muito ecléticos. A música sempre foi parte imprescindível de minha vida, inclusive durante o trabalho. Hoje em dia, eu vou tanto a shows, que investi uma grana num par de protetores auditivos feitos sob medida. Já fui a shows de vários estilos musicais diferentes, mas, devido a alguns acontecimentos recentes, resolvi escrever um texto sobre a sub-representação feminina no rock

O ambiente de shows de rock é, em geral, bastante hostil para mulheres. A dança do rock por si só é bastante violenta. Os roqueiros (a maioria homens) pulam e chutam formando rodinhas, e isso acontece principalmente em  músicas mais pesadas.
 
Apesar disso, comecei a ir a shows de rock na adolescência e nunca mais parei. Já sofri violência de gênero várias vezes. A primeira vez foi aos quinze anos num show do Camisa de Vênus. Eu não gosto dessa banda, mas eles estavam abrindo um festival com vários palcos, e eu acabei entrando na pista por mera curiosidade.  

Uma enorme roda estava aberta, mas, inexperiente que eu era, não percebi. Tenho certeza de que não foi por coincidência que eu fui derrubada logo em seguida, e um sujeito enfiou a mão entre minhas pernas quando eu não tinha nenhuma condição de me defender. Também não foi coincidência que quando isso aconteceu, Marcelo Nova cantava a todo vapor, sendo seguido num forte coro, "Silvia piranha". Um monte de homem cantando um hino misógino vai praticar o quê? Misoginia, é claro.
  
Foi horrível. Deve ter sido rápido, mas parece que durou uma eternidade até que eu consegui me levantar. E quando isso aconteceu, eu não tinha como identificar o agressor no meio de tantos jovens. Tudo que me restou foi sair da roda.

A história do rock é recheada de coisificação de mulheres. Existe uma lenda sobre o tratamento que o AC/DC dava a suas groupies: Para que a garota transasse com o vocalista, que era o mais assediado, deveria transar com todos os outros integrantes antes. Tudo bem que as meninas aceitavam, mas, será que a banda não deveria pensar que a maioria delas eram adolescentes?

A questão é que o rock é um ritmo musical via de regra produzido por homens para homens, e por isso mesmo é tão respeitado. Claro que também tem a ver com o fato de ser um estilo musical quase que predominantemente cantado em inglês, com grande produção internacional, intensamente popular na região sudeste do país e muito ouvido por pessoas que falam inglês, que tendem a ter maior poder aquisitivo. Uma vez eu li uma matéria sobre empresas que davam preferência a contratar candidatos e candidatas que gostam de rock.

Entretanto, artistas que agradam o público gay ou meninas são severamente ridicularizados(as). É bacana odiar artistas pop, mas não é bacana odiar artistas que fazem rock. E isso tem a ver com a predominância masculina no público e na produção de rock.

Aí aparece alguém idiota por aqui e diz: "Besteira isso tudo que você está dizendo porque o rock é muito melhor mesmo". Bom, quem disse que o rock é "melhor", seja lá o que isso significa? É bom lembrar que, quando Elvis apareceu, rock recebia o mesmo tratamento que o funk carioca recebe hoje porque era música de "preto", e a dança era considerada indecente.  

Só pra demonstrar um pouco a total predominância de homens na produção de rock, vou analisar os últimos quatro shows a que compareci. 

No Rock in Rio dia 19/09 as atrações do palco principal eram: Metallica, Alice in Chains, Ghosts B.C e Sepultura & Tambours du Bronx. Confesso que não tenho certeza sobre Tambours du Bronx, mas todas as outras são compostas apenas por homens. As bandas dos outros palcos também seguiam esse padrão masculino.

E mais uma vez, fui vítima de violência de gênero num show. Um pouco antes do Alice in Chains subir ao palco, eu fui agredida por um misógino nojento. Eu andava com minha irmã perto da tirolesa quando um elemento começou a cercá-la tentando beijá-la a força. Ela tentava passar, mas ele não permitia, então eu o empurrei. Ele gritou de forma bem agressiva "se ela era minha mulher", algo bem desagradável de se dizer. Não só por sermos irmãs, mas porque mesmo que ela fosse minha namorada, eu não me referiria a ela dessa forma. Eu o mandei para o inferno, então ele colocou a mão sobre o pênis e começou a rebolar ameaçadoramente, tipo estuprador mesmo. Sério. Eu passei por isso em plena Cidade do Rock, e não apareceu um segurança pra convidar esse verme a se retirar. A organização do Rock in Rio podia fazer uma campanha pra que os homens respeitassem as mulheres durante o show. Não precisa nada demais; só algo como "mulher é gente", ou "só a toque se ela consentir" já seria o suficiente.

Continuando com a série de shows, dia 21/09, fui ao show do Bon Jovi, com abertura do Nickelback. Ambas as bandas são formadas somente por homens. Depois, dia 11/10 fui ao show do Black Sabbath, com abertura do Megadeth. Mais uma vez, apenas homens no palco. No show do Sabbath tinha mais sanitários masculinos, inclusive, porque de fato havia mais homens na plateia. E isso porque mulheres vão mais ao banheiro. No Monsters of Rock, 19/10, as principais atrações eram: Slipknot, Korn e Limp Bizkit. Nem vou checar as outras bandas, mas o fato é que todos os membros das três mais esperadas da noite são homens.

Runaways (divulgação)
Provavelmente, a primeira banda bem sucedida só de mulheres foi a Runaways de 1975. Quem viu o filme, sabe que a história delas foi bem difícil, atormentada por violência de gênero, inclusive. E depois delas, qual tem sido o lugar das mulheres no rock?

Atualmente, a maioria das bandas que têm algum elemento feminino contam apenas com uma mulher no vocal. Os músicos que tocam instrumentos são todos homens. Posso citar vários exemplos desse padrão: Paramore, Evanescence, Within Temptation, Pretty Reckless, Halestorm, Cranberries... Em alguns casos a vocalista também toca. Mas, mesmo assim, fica bem claro que mulheres tocando todos os instrumentos em bandas de rock é algo raro.

Depois há bandas em que há mais de uma mulher, como Nico Vega, Dead Sara e a mais ou menos extinta Hole... E Courtney Love passou a carreira inteira sendo responsabilizada pela morte de seu marido Kurt Cobain, que a deixou com uma filha pra criar.

Fiquei muito feliz quando soube da iniciativa "GIRLS ROCK CAMP BRASIL​: Acampamento Diurno de Férias com Vivências Musicais, Exclusivo para Meninas", que rola de 13 a 18 de janeiro em Sorocaba e recebe meninas de 07 a 17 anos. Trata-se de um espaço onde elas terão a oportunidade de aprender a tocar um rock dentro de uma banda exclusivamente feminina, compartilhando sonhos num ambiente seguro. 

Eu acho que devemos sim estimular as meninas a se apropriar do rock se este é o desejo delas. Eu nunca parei de ir a shows apesar de toda a hostilidade por uma razão muito simples: Eu tenho direito de ir a shows. Não vou abandonar o espaço público porque alguém tenta me expulsar dele. 

Claro que a questão da sub-representação feminina no rock tem muitas nuances. O fato de que a maioria das meninas não se sente à vontade num ambiente predominantemente masculino é só uma delas. Também existe o preconceito contra produtos culturais produzidos e/ou apreciados por mulheres, que certamente atinge bandas que agradam meninas. Já ouvi comentários depreciativos sobre o Bon Jovi, por exemplo, porque é uma banda popular entre mulheres, e bandas com garotas costumam conquistar meninas adolescentes tão carentes de identificação no rock. E é certo que gravadoras e produtores levam em consideração os prós e contras de produzir rock "feminino" com base nas possibilidades de lucro. Mas não podemos deixar de mencionar que boa parte da rejeição às mulheres na sociedade ocidental é inconsciente.

Uma coisa que percebi recentemente com o retorno da 89fm, conhecida como "Rádio Rock", é que a locução dessa rádio é machista. Perdi a vontade de ouvir a rádio depois de ter ouvido o locutor da tarde dizer que a Liv Tyler e a Alicia Silverstone "embarangaram" e que isso era "coisa da idade". Eu nem sei qual é a idade do elemento que falou essa besteira (queria ele que uma dessas duas "barangas" quisesse algo com ele), mas dizer que mulheres com menos de 40 anos são feias por causa da idade é de uma misoginia forte, apesar de normatizada. Vem da ideia de que o corpo feminino tem data de validade e que ela é extremamente curta. E pior, que o corpo feminino existe pra agradar os homens, e que são eles que decidem como é uma mulher bonita. Mas o principal dessa ideologia suja é a rejeição às mulheres mais velhas porque elas têm mais poder. Pensa bem, em que lugar da carreira a gente chega antes dos 40? Antes dos 30, então? Conforme o tempo passa, a gente adquire mais sabedoria e segurança, e é disso que a maioria dos homens não gosta. Mas nós não estamos aqui para agradá-los, certo?