sábado, 30 de novembro de 2013

Lesbianidade não é novidade...

Postada originalmente: Sexta-feira, 26 de Agosto de 2005 
 
"As quatro moças iam sair, quando um suspiro as suspendeu; mais alguém estava no toilette. 
D. Joaninha, medrosa de que uma testemunha tivesse presenciado a cena que se acabava 
de passar, voltou-se para o fundo do gabinete, e o susto logo se dissipou.
         __ Vejam como ela dorme!... disse.
         Com efeito, recostada em uma cadeira de braços, D. Carolina estava profundamente 
adormecida.
         A Moreninha se mostrava, na verdade encantadora no mole descuido de seu dormir, e à 
mercê de um doce resfolegar, os desejos se agitavam entre seus seios; seu pezinho bem à 
mostra, suas tranças dobradas no colo, seus lábios entreabertos e como por costume 
amoldados àquele sorrir cheio de malícia e de encanto que já lhe conhecemos e, finalmente, 
suas pálpebras cerradas e coroadas por bastos e negros supercílios, a tornavam mais 
feiticeira que nunca.
         D. Clementina não pôde resistir a tantas graças: correu para ela... dois rostos angélicos se 
aproximaram... quatro lábios cor-de-rosa  se tocaram e este toque fez acordar D. Carolina.
         Um beijo tinha despertado um anjo, se é que o anjo realmente dormia."
(A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo, capítulo XVI)

O mais interessante nesse trecho do livro, publicado pela primeira vez em 1844, é que o autor narra como sendo algo natural uma menina beijar os lábios de outra. Ele coloca um teor de inevitabilidade; Clementina simplesmente "não pôde resistir". O objetivo dele é mostrar que Carolina estava ouvindo a conversa das moças enquanto fingia dormir, e não pontuar a existência de desejos entre elas. É como se o desejo fosse já conhecido a priori. 

Claro que beijar alguém dormindo não é algo correto, porque um beijo é uma carícia sexual e, portanto, deve ser consentida. Mas a abordagem não é diferente de quando o príncipe desperta a princesa adormecida com um beijo.  
 


O que é isso?

O que é isso?

 

Postada originalmente em 27/06/2007 às 18h04.
É um ovo. Quero me divertir com ele.

Luz

Luz


Postada originalmente em 22/06/2007 às 19h16.
Esperanças.
O sol nasce e o sol se põe,
mais um dia
anoitece e amanhece: é a vida.
O que é a vida senão uma sucessão de momentos?
E lá se vai mais um dia.
E o que nos mantém vivos/as é a certeza do amanhã;
estamos eternamente condenados/as ao amanhã.
Quem sabe?
Talvez amanhã...

 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sexo como ferramenta de agressão

Postada originalmente: Sexta-feira , 02 de Maio de 2008.



Certa vez, precisei me submeter a um exame horrível chamado polissonografia, no qual eu deveria dormir sendo monitorada.
O processo é bastante simples. Momentos antes do/a paciente deitar, uma funcionária do Instituto do Sono aparece para “montar” a vítima, neste caso funesto eu. Vários fios são atados à cabeça, ao nariz, às pernas e até ao dedo indicador. Tudo para detectar sono REM através dos movimentos dos olhos, além de paradas respiratórias e movimentos involuntários das pernas.
Teoricamente a ideia é linda. Mas quando uma pessoa que sofre de insônia se mete numa encrenca dessas, o resultado é bem outro. Em primeiro lugar porque eu simplesmente não podia ir ao banheiro sem desligar os fios, logo precisava chamar uma funcionária sempre que precisava urinar, o que eu faço bastante.
Uma TV de plasma idiota era tudo que eu tinha para me distrair durante a insônia, visto que não podia nem andar até a escrivaninha ou acender a luz da merda do quarto (masmorra). E eu nem podia trocar o canal da TV porque o quarto estava sem controle remoto. Acabei deixando na MTV, e passava naquela noite um reality show ridículo chamado “Os quebradeiros”. Tratava-se de alguns moleques bonitinhos com idade inferior a 25 anos numa viagem ao litoral sadicamente documentada pela MTV.
Em alguns momentos eles apareciam falando com a câmera, como num depoimento solitário, e foi num desses momentos que um elemento particularmente misógino me surpreendeu. É claro que eu não me lembro de seu nome, ele não tem tanta importância assim. Para mim ele foi muito mais um objeto de estudo do que um personagem cuja opinião tenha alguma relevância.
Era o garoto que “pagava de gostosão” na turma. Na verdade nem era tão bonito assim; tinha um rostinho normal e aquele corpo sarado que qualquer moleque de academia tem. Mas ele tinha tido sorte: duas garotas haviam aceitado ficar com ele na mesma noite.
No depoimento ele disse algo assim [sic]: “Chovendo mulher por aqui... Uma quase se jogou nos meus braços, disse que tava passando mal, eu falei que tinha o que ela precisava... Depois ela veio querendo ficar no meu pé, cheio de mulher aqui eu vou ficar só com ela? Até parece... Outra veio pular onda aqui perto, coitada...”
O discurso dele parece refletir um certo ódio pelas mulheres. Na verdade as garotas são vítimas dele, é como se ele fosse um caçador. Depois que deu uns beijinhos, acabou, é só pra dizer para os outros que ele conseguiu.Tanto que ele até chama de "coitada". E é coitada mesmo.
Até a MTV o ridicularizou, colocando uma trilha sonora romântica nas cenas dele. Mas não posso esperar que um homem corajoso o suficiente para se mostrar um grosseirão egocêntrico na TV tenha inteligência o suficiente para entender que foi na verdade ridicularizado. A MTV nem deveria ter dado espaço para um depoimento chorume como esse, mas, pelo menos, agora quem o conhece pessoalmente sabe que tipo de gente ele é.
Nenhuma mulher com mais de 10-³% do cérebro ocupado por amor-próprio aceitaria ficar com um sujeito que ratificou orgulhosamente sua postura de desrespeito ao feminino.
Um outro exemplo de misoginia grotesco aparece no filme “O Signo da Cidade” (2008) de Carlos Alberto Riccelli. Esse filme ainda está em alguns cinemas, e eu recomendo. Apesar de seguir a manjada fórmula de histórias dramáticas entrelaçadas, oferece muito material polêmico.
Eu destaco a cena em que dois boys saem de um A3 e surram uma travesti. Alguns momentos antes eles conversavam animadamente sobre uma garota que havia transado com um deles e sido dispensada. “Eu vou querer no meu pé?”.
Os homens usam muito essa frase. O que eles chamam de “ficar no pé” na verdade é o carinho que a mulher oferece, e que eles recusam. Depois se queixam de solidão. Pessoas que se gostam conversam todos os dias. Eu converso com meus amigos e amigas quase todos os dias.
Eu realmente não consigo entender como alguém consegue transar com alguém por quem não tem nenhum respeito. Não é questão nem de amar ou estar apaixonado. É usar o sexo como violência, como se fosse uma ferramenta de agressão. Não é mais sedução, é estupro. 

Mistérios urbanos

Mistérios urbanos


Postada originalmente em 20/05/2007 às 16h04.
Na rua da Consolação, consegui uma foto no mínimo curiosa.
Pelas ruas de São Paulo vou me surpreendendo. E qual será a surpresa que me aguardará amanhã?
Da morte não sei o dia, mas sei que o mistério do amor é ainda maior...
A única alternativa é transformar devaneios em imagens e textos...

 

Solidão na zona oeste

Solidão na zona oeste


Postada originalmente em 19/05/2007 às 19h32.
É sobre solidão.
É sobre angústia.
É sobre ser notável e intensa.
É sobre ser íntima e ferida.
É sobre ser abandonada por ser impressionante.
É sobre sofrer por ter fortes sentimentos e cair numa cadeia visceral.
É sobre perseguir, envenenada e sangrando, o conforto da liberdade.
É sobre reconhecer nos carros que correm a impossibilidade de ser feliz.
É sobre o crepúsculo compulsório no Viaduto Antártica e a expectativa da noite que antecede a manhã de amanhã, quando não me esquecerei da dor que outrora sentira.

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Doce fantasma

Doce fantasma

Postada originalmente em 17/04/2007 às 19h09.
O que é um corpo sem alma? Um cadáver vivo?

E o que é uma alma sem corpo? Um reflexo vazio num espelho vagabundo de um banheiro qualquer?

E uma alma perdida para o amor? Onde ela vai parar?

Ela simplesmente vaga se o amor não a aprisiona.

Competição injusta:
Alma x Corpo;
Coração x Mente.

Paixão também mata.

 

Um olhar escatológico

Um olhar escatológico

Postada originalmente em 15/04/2007 às 14h42.
Que haja terror enquanto houver perseguição injusta.

Ninguém vai me dizer o que fazer, muito menos o que sentir...

E quem me julgar vai sentir o gosto amargo da não complacência.

A vida é um espelho. O sangue foi derramado injustamente.

O sangue de Jolene. Pobre Jolene. Ela não teve culpa.

Ela não merecia.

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Violência contra a Mulher: Um Sintoma Ideológico

Dia 25 de novembro foi instituído como o Dia Internacional de combate à Violência contra a Mulher. Nessa data, várias sociedades do mundo praticam ações de conscientização sobre a necessidade de se combater a violência contra a mulher.  

A violência contra a mulher, também chamada de violência de gênero, é motivada por ideologias que oprimem as mulheres. Trata-se de agressões de vários tipos praticadas contra mulheres porque elas são mulheres. Os agressores podem ser tanto homens como mulheres, mas é mais comum que sejam homens, principalmente o parceiro ou ex. Familiares também estão entre os agressores mais frequentes.  

O entendimento da mulher como inferior acarreta uma coisificação das mulheres, o que leva homens a  desenvolverem sentimentos de propriedade sobre suas parceiras.  É esse sentimento que "justifica" socialmente os chamados "crimes de honra", nos quais um homem mata uma mulher que não o quer mais, indignado com a possibilidade de que ela faça sexo com outro homem. É baseado no lema "se não é minha, não será de mais ninguém". 

Muitas vezes, esses sentimentos aparecem com relação a mulheres da família. Alguns abusadores de suas próprias filhas dizem abertamente que não tiveram filhas "para outros homens", numa evidente demonstração de que veem suas filhas como objetos dos quais apenas eles têm o direito de se servir.   

A pesquisadora Glaucia Fontes de Oliveira afirma em seu artigo "Violência de gênero e a lei Maria da Penha": "A violência de gênero pode ser observada como uma problemática que, necessariamente, abrange questões ligadas à igualdade entre sexos. É, pois, um tema com elevado grau de complexidade, tendo em vista que é fortemente marcada por uma elevada carga ideológica."

Quando se fala em violência contra a mulher, frequentemente surgem argumentos de que, estatisticamente,  maior número de homens é vítima de violência. O que é preciso esclarecer é que a natureza das agressões sofridas por homens não é motivada por sua masculinidade. Existe inclusive a violência homofóbica, que é praticada contra homens vistos como "afeminados", ainda que não sejam gays. Isso acontece justamente porque esses homens são, por alguma razão, percebidos como longe dum ideal de masculinidade que os protegeria dessas agressões.


É importante mencionar que violência não se refere apenas a agressões físicas como tapas, socos, chutes, empurrões, entre outros golpes. Atentados contra a liberdade individual como manter uma mulher em cárcere privado ou esconder bolsas, documentos, sapatos, chaves, dinheiro com o objetivo de impedi-la de sair de casa são formas de violência que não necessariamente envolvem agressão física. A violência também pode ser verbal, no caso de insultos e apelidos pejorativos pelos quais o agressor pode chamar a vítima. 

Violência psicológica inclui todo tipo de ação praticada a fim de provocar humilhação e/ou manter a mulher oprimida. Inclui afirmar que a mulher tem defeitos no corpo, que precisa emagrecer ou fazer plástica, principalmente na frente de outras pessoas, insinuar que ela é burra, desqualificar sua profissão, ridicularizar seus hobbies, quebrar suas coisas, matar seus animais de estimação, afastá-la de sua família e amigos, fazer discurso sobre a inferioridade feminina, dar ordens para que ela faça tarefas domésticas, colocar defeitos no serviço que ela fez, entre outras grosserias. 

Violência sexual abrange insistir em fantasias sexuais que ela não curte, inclusive obrigá-la a ver filme pornô, forçar relação sexual em momentos ou de formas que ela não deseja, ameaçar aborto caso ela engravide ou forçá-la a abortar.

Elícia Santos, secretária de Mulheres da Federação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura afirma: “As pessoas acham que a violência só é pancada. A sociedade não observa pressão, xingamento e violência política”.

"Humilhado" quem? As vítimas são sempre mulheres.

 A divulgação de imagens íntimas de mulheres é um tipo de violência de gênero conhecida nos EUA como revenge porn. Essa prática tem vitimado muitas mulheres recentemente, inclusive aqui no Brasil, onde já existem projetos de lei para coibir esse tipo de agressão. É violência de gênero porque se estabelece sobre a diferença no tratamento dado à sexualidade feminina. Em muitos desses vídeos, o próprio agressor aparece na relação sexual. Mas todo o bullying da sociedade é direcionado à mulher.

A violência contra a mulher precisa ser combatida de maneira específica por se tratar de um tipo de violência cometida contra uma minoria, ou seja, motivada pela condição de opressão em que um grupo se encontra. É fundamental que sejam discutidas novas formas de se coibir essas práticas, seja através da criminalização de condutas agressivas, seja através da conscientização da população acerca do quão nocivos certos valores podem ser. A violência de gênero contribui para a manutenção da opressão das mulheres através da cultura do medo. Apenas uma mobilização pelo fim dela pode ensejar sociedades seguras para o estabelecimento da igualdade de gênero.   

Sangue inocente cruelmente derramado

Sangue inocente cruelmente derramado


Postada originalmente em 07/04/2007 às 17h58.

Por aquela garota que não insultou mas foi insultada.
Por aquela garota que não violentou mas foi violentada.
Por aquela garota que não manipulou a situação e preferiu conservar a dignidade.
Por aquela garota que não fez ninguém triste mas entristeceu.
Meu sangue. 
Sangue de verdade. Derramado, vermelho e sofrido.
Ofereço meu sangue em troca de sua liberdade, em troca de sua alegria, em troca
de sua vida.
Em troca da paz que um desejo outrora sentido
e agora translúcido perturbou.

Fly butterfly

Fly butterfly

Postada originalmente em 21/03/2007 às 08h07.


Se fosse possível a liberdade...
Eu sou uma borboleta que não pode voar mais porque feriram minhas asinhas...

Condenada, prisioneira, as patinhas cansadas, as asas coloridas e translúcidas, as antenas caídas...

Liberdade? Eu sou a borboleta escrava de meus desejos, borboleta...

Tentando em vão voar...

Borboleta.

 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Humanizando

Humanizando

Postada originalmente em 04/03/2007 às 11h42.
Se um saquinho de gergelim pode ser humanizado
com simples traços de caneta hidrográfica...

Você também pode ser humanizado(a).

Você também pode ser um ser humano humano.

É só tentar entender o que o próximo sente;
imaginar como seria se o problema dele fosse seu...
Se você fosse pobre;
Se você fosse negro(a);
Se você fosse analfabeto(a);
Se você fosse uma pessoa com deficiência;
Se você fosse gay;
Se você fosse transexual;
Se você fosse mulher;

Se você fosse leoa brava com juba cor de sangue, cerejinha fashion, baiana da Áustria.

Só eu sei a dor que eu sinto.

 

The weight of the world

The weight of the world

Postada originalmente em 28/02/2007 às 19h38.

Quando a dor é forte demais e parece impossível aguentar...

Os pulsos ardendo, o coração apertado, a angústia...

A pressão é tanta, simplesmente não é justo!

Não, não é justo! Parem, por favor, parem! Eu não aguento mais!

Estou sofrendo muito, não aguento...

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Cheiro de flores mortas

Cheiro de flores mortas

 

Postada originalmente em 26/02/2007 às 18h38.
Flores murchas
Flores secas
Cheiro de flores mortas
Procurando água...
Procurando luz...
Ninguém percebe, ninguém vê
Nada é o que parece ser
Vistosas e coloridas
porém solitárias
Perfumadas e atraentes
porém carentes

Cheiro de flores mortas
Nódoa na sua cama
Asfixiada em seus braços
Cabelos cor de sangue pelo espaço

Sangue de flor deflorada
Sutil gota no lençol
Uma mácula pra uma vida inteira
Um rastro de lágrimas
Em cada corredor
Em cada curva
Na carícia derradeira.

domingo, 24 de novembro de 2013

"Disse-me-disse"

"Disse-me-disse"

Postada originalmente em 11/02/2007 às 16h08.

O pessoal tem perdido tempo inventando calúnias a meu respeito.
Eu não sei o que alguém ganha tentado denegrir a minha imagem, mesmo assim eu mostro a língua.
Se sou invejada, é porque tenho tesouros. Não vou abrir mão de meus tesouros.


UN-LOVE

UN-LOVE

Postada originalmente em 25/01/2007 às 13h41.
Nem sempre os sentimentos são apropriados/adequados/corretos.
Regras em sentimentos? Quem pode ditar o ritmo das batidas de meu coração? Quem tem o direito de dizer quem eu devo ou não amar?
Monogamia? Quem escolheu?
Existem formas diferentes de amar.
É preciso muito ativismo interno e externo. A finalidade é atingir o maior grau de liberdade possível dentro deste mundo. A utopia da liberdade, o velho sonho de não precisar provar nada, sair por aí e não dar satisfações a ninguém...
A liberdade total só seria possível se eu abdicasse do amor. Entretanto, só encontramos a felicidade quando nos sentimos amarrados/as a alguém.

 

sábado, 23 de novembro de 2013

Leve aflição extrema

Leve aflição extrema

Postada originalmente em 15/11/2006 às 12h13.
 
Não que eu seja dramática. Só quero um pouco de emoção.
Tenho me sentido muito simbólica ultimamente.

(Cabelos cor de sangue, sangue feminino, mulheres não sangram à toa, sangram porque estão feridas, feridas por dentro)

Catarse, lágrimas, gritos, fúria.
Às vezes é preciso agarrar alguma coisa. Conservar um sentimento para evitar a sensação de vazio.
Ninguém quer ficar desprovido totalmente.
Ninguém quer ficar entre a jugular e o benzodiazepínico.
E eu tenho uma visão profundamente pessimista da condição da mulher no nosso mundo.

 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A felicidade é de pelúcia

A felicidade é de pelúcia

Postada originalmente em 23/10/2006 às 02h56.

Alegria surge macia; brincamos com ela e logo está cheia de mofo.
Somos agredidas/os e não temos tempo de sofrer. A vida urge. E passamos as horas fingindo que não doeu nada.
Quando a memória da dor chega, precisamos fazer outra coisa e não pensamos nela.
Colorida e dolorida.

 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MULHERES MORREM DE MISOGINIA

MULHERES MORREM DE MISOGINIA

 

Postada originalmente em 23/09/2006 às 18h18.
Deveria ser manchete, mas todo mundo ignora. Num emaranhado de momentos desagradáveis, imobilizadas pela dor do desrespeito, garotas agonizam.
Misoginia é o mal. Complexo de Édipo e uma boa dose de machismo fomentam a política falólatra que atormenta a humanidade há séculos.
Eu não entendo por que apenas mulheres castradas merecem respeito.
Certa vez um sujeito disse: "Não confio em nada que sangra todo mês e continua viva".
O problema é que ele não sabia sobre a bênção. Muito menos sobre a inexorável decência de que Jean Paulhan falava.
É por isso que eu esfrego minha condição de fêmea na sua cara e ratifico minha indignação. Não considero ético nem justo que eu seja desprezada por ser mulher.
E o que somente mulheres sabem: o feitiço que nos mantêm vivas apesar de tudo.
O sangue verte e o orgulho aumenta. Todos, até mesmo os misóginos já estiveram dentro de um útero. Mesmo assim, eles pisam e cospem no gineceu.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cadáver de plástico

Cadáver de plástico

Postada originalmente em 07/09/2006 às 12h36.
 
Dias gelados de um setembro compulsório. Fim de inverno.
O delfim amarelo agoniza asfixiado. Ingenuamente concebido como uma prova de amor. Abandonado no chão frio ao lado do pó.

Gelado
solitário
angustiado
esperando do sofrimento o fim.

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Explorando fetiches sem culpa



Falar sobre práticas sexuais "transgressoras" é sempre difícil, sendo que o termo transgressoras muitas vezes
Edge Play Story for VICE
por Edmund X White, Flickr, CC
engloba qualquer coisa que saia de um papai-mamãe com sexo vaginal. Nesse sentido, os livros da trilogia "Cinquenta Tons de Cinza" têm o mérito de ter trazido o tabu do BDSM para o mainstream. O fato de a trilogia ter vendido (e ainda vender) tanto evidencia o quanto fantasias desse tipo podem ser mais comuns do que imaginamos. E ninguém deve se envergonhar delas. O importante é não ter preconceitos e buscar informação a respeito.   

Se você está tentada a experimentar alguns fetiches deste tipo mas está insegura, este post pretende dar algumas dicas práticas sobre o assunto. Há algumas semanas, fiz uma resenha sobre essa série de livros. Cito um pequeno trecho explicativo a respeito de BDSM:
 
"A sigla BDSM se refere a um conjunto de práticas sexuais que trazem prazer através da troca erótica de poder. Em geral, os adeptos desse estilo de vida o praticam num espaço de tempo conhecido como “sessão” ou “cena”. Essa sigla deve ser entendida em grupos de duas letras.

BD significa Bondage e Disciplina, o que inclui técnicas de amarrar e dominar pessoas com cordas de vários tipos ou correntes, causando desconforto e às vezes dor.

DS significa dominação e submissão, o que não necessariamente inclui o uso de dor. Implica que a pessoa submissa obedeça às ordens da pessoa dominadora. Nesse caso existe a possibilidade de que o relacionamento siga em sistema 24/7, o que significa que o(a) submisso(a) deve se submeter a seu(ua) mestre em tempo integral, vinte e quatro horas por dia nos sete dias da semana. 
SM significa sadomasoquismo, que se refere a relações nas quais existe uma imposição de sofrimento físico ou humilhações de uma pessoa a outra.

Todos esses conjuntos de manifestações sexuais podem ter homens e mulheres em posição de dominação ou submissão. Não existe uma obrigatoriedade de papéis pelo gênero." 
(Leia o texto completo em pattykirsche.blogspot.com)

Pode ser que você encontre praticantes machistas, mas o BDSM em si não é machista. O BDSM envolve relações de poder nas quais uma das partes se entrega à outra. Não existe uma ideia de que um gênero deve ser submisso ou oprimido. O BDSM não é sequer heteronormativo. Ou seja, mulheres podem dominar outras mulheres ou homens. Homens podem dominar outros homens ou mulheres. E os papéis tampouco precisam ser fixos.

Arc-en-ciel

Arc-en-ciel

 

Postada originalmente em 26/08/2006 às 19h23.
 
Tarja preta e algumas gotas de sangue.
Cada listra é uma lágrima.
Cores escondem dores, tristeza também pode ser bela, amor dói.
Angústia longa e (aparentemente) inexplicável.
Quase não sei como descrever.
Uma xícara de chá escarlate, um remédio egípcio, hibiscos coroando minha solidão.

Não é meu melhor texto;
não é minha melhor imagem;
não é meu melhor momento.

domingo, 17 de novembro de 2013

Meu segredo em flor

Meu segredo em flor


Postada originalmente em 19/08/2006 às 13h40.
 
Segredos femininos.
Toda mulher tem segredos.
Toda mulher tem flores.
E flores também sangram às vezes.

sábado, 16 de novembro de 2013

The touch of my hand

The touch of my hand

Postada originalmente em 13/08/2006 às 12h19.
 
Infrutescência úmida e doce. Odor almiscarado, cor nacarada. Um toque e reações incompreensíveis. Um objeto divino que foi consagrado por sua função. Vilipendiado e violado pela natureza masculina.

 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Num gancho qualquer

Num gancho qualquer

Postada originalmente em 12/08/2006 às 14h09.

Nada é o que parece. Liberdade? Ninguém é livre.
Prisioneiros do sistema, prisioneiros de nossos sentimentos, prisioneiros de nosso corpo. Pesadas correntes invisíveis nos mantêm cativos.

 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Enquanto isso, num bordel de quinta categoria...

Enquanto isso, num bordel de quinta categoria...


Postada originalmente em 01/08/2006 às 02h55.
 
Uma meretriz acaba de atender um cliente. A luz magenta tinge sua pele explorada e a roupa de cama encharcada de suor. Pobre garota bonita. Repleta de amantes e ainda assim solitária.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Resto

Resto

 

Postada originalmente em 31/07/2006 às 02h49.
 
 
Engraçado como tudo que restou de nosso amor foi essa vela perfumada. E pensar que nosso namoro acabou por causa de uma vela? Eu sabia que cera quente podia ser dolorosa. Mas suas palavras certamente foram muito mais.
Imatura? Mimada? Eu?
E pensar que antes eu era chamada de borboleta...
Não tive coragem de jogar os presentes fora. Mas tive coragem de terminar aquele relacionamento insosso.
A menina imatura e mimada tem sangue nas veias. E não aguentou ser injustamente acusada.
E não adianta ligar fingindo que não aconteceu nada. O que foi dito eu ouvi. Não esqueci e não perdoei.

 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Caminhando nas nuvens

 
 Caminhando nas nuvens
 
 
Postada originalmente em 29/07/2006 às 22h17.
 
Uma pequena parte do sofrimento feminino. Um lugar onde doçura e dor andam de mãos dadas. Cores fortes escondem angústias e muito sangue derramado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Moda masculina = Camisetas sexistas?

A empresa Lojas Marisa precisa prestar esclarecimentos à Defensoria Pública de MS. Camisetas à venda para o público adolescente masculino com a estampa Great rapers tonight (Ótimos estupradores esta noite), que faz apologia de crime de estupro, acarretaram problemas para a rede.

Fico feliz com o fato de que a empresa pelo menos está tendo que se explicar. Claro que, nesse caso, a mensagem é bastante explícita. Quer dizer, "Ótimos estupradores esta noite" é uma frase cujo teor agressivo é bem óbvio. Mas a verdade é que a moda masculina é recheada de camisetas de péssimo gosto e nenhum respeito por mulheres. Tanto que eu estou sempre fotografando as camisetas sexistas que encontro por aí.

Imagem 1 - Camiseta a venda na C&A do Shopping Ibirapuera

Há alguns meses, eu passeava pela C&A do Shopping Ibirapuera quando topei com estas camisetas horríveis (imagem 1) na seção masculina. São da marca Playboy, cujo símbolo é um coelho. Então alguém teve a brilhante ideia de colocar vários recortes de partes do corpo feminino em formato do coelho da marca.

Será que eu preciso explicar por que isso é misógino? Bom, os pedaços de mulheres estão colados de forma perturbadora, como se elas tivessem sido dissecadas. E são várias moças, como se não importasse "quem" elas são, mas "o que". Como se fossem bonecas a serem acumuladas pelos detentores das camisetas. É de péssimo gosto e absurdamente desrespeitoso com as clientes da C&A. E não entra na minha cabeça como empresas que têm público feminino compactuam com tamanho desrespeito contra as mulheres. Se não é por ideologia, poderia ser pelo menos por dinheiro, né? Lamentável.

Imagem 2 - Camiseta a venda na Piticas do Shopping Internacional
Na imagem 2, a camiseta sexista é a segunda da esquerda para a direita na fila superior. Ela estava a venda num quiosque da marca Piticas no Shopping Internacional.

Quer dizer, mulheres falam demais, fazem muito barulho, irritam os homens, então a solução é colocar um protetor auditivo para não ouvi-las. Aquela velha ideia da histeria feminina bastante teorizada cientificamente. O que nós dizemos não é importante porque não temos pênis.

Catonné afirmou que a histeria era a doença da opressão da mulher, e só posso concordar com ele. É claro que, se você não tem direito a nada, você vai adoecer. Se ninguém ouve o que você diz, você vai gritar. E se as pessoas que têm pênis são respeitadas, você vai querer esse respeito também. Essa ideologia de que o que mulheres dizem não importa é o que legitima um homem agarrar uma garota numa balada porque o "não" dela na verdade quer dizer "sim"; ela só está com "frescura".

Imagem 3 - Camiseta a venda na Pernambucanas do Shopping Internacional
A imagem 3, eu já havia publicado em outra postagem. "Relationship 101" significa algo como "Guia para relacionamentos". A receita é "Rapaz + Diamantes = Rapaz + Moça". Ou seja, ganhe dinheiro e compre mulheres. Elas são animais domésticos e estão à venda. Afinal, meninas e mulheres são 80% das vítimas de tráfico de pessoas, sendo que 79% são exploradas sexualmente. Deve ser porque mulheres são vistas como animais para satisfação sexual, né? Aí o cara mais rico pode escolher pela aparência, igual quando se escolhe um cavalo.

Essa é a deprimente moda direcionada ao público jovem masculino. Parece que desrespeitar mulheres é o que torna nossos rapazes "legais". E ainda aparece um monte de empresa sem critério para explorar essa cultura visando somente lucro, e sem nenhuma preocupação com violência de gênero.

Aproveitando o tema, gostaria de acrescentar que pretendo publicar duas listas de marcas. Uma com empresas que tenham projetos direcionados a igualdade de gênero, porque o que é bom merece ser divulgado; e outra com empresas que promovam e/ou patrocinem material com conteúdo discriminatório contra mulheres. Quem tiver exemplos, pode entrar em contato.