sábado, 28 de novembro de 2015

Deficiência de vitamina D - A cultura do medo do sol

A deficiência de vitamina D é um problema grave dos ambientes urbanos nos últimos anos. Com tanta campanha pelo filtro solar para evitar câncer de pele e envelhecimento, as pessoas desenvolveram um medo muito forte do sol.

O fato é que a deficiência (ou insuficiência) de vitamina D pode acarretar graves problemas de saúde, pois ela é na verdade um hormônio. Além de fundamental para a absorção de cálcio, ela também evita diabetes, enxaqueca e depressão.
Tirada por mim no Parque do Piqueri

A melhor forma de regular os níveis de vitamina D no corpo é através da exposição ao sol diária por cerca de 15-20 minutos sem protetor solar. Minha dica é passar protetor solar no rosto, lábios, colo e mãos, pois são áreas mais delicadas, colocar um chapéu ou boné para proteger os cabelos e o couro cabeludo, e usar óculos escuros com proteção UV nas lentes. Os melhores horários são antes das 11h e após às 16h, mas não é preciso ter pavor caso não seja possível. É melhor, entretanto, evitar o sol muito quente, que pode causar queimaduras.

É importante destacar que a exposição deve acontecer num período de tempo curto; em no máximo 30 minutos já é preciso espalhar o protetor solar em todas as partes expostas. Infelizmente, não é possível acumular um monte de vitamina D num dia só; a exposição ao sol deve se tornar um hábito diário. E, mesmo em dias nublados, a absorção ainda acontece. Só não adianta através do vidro de janelas, pois os raios UVB são filtrados.

Também é bom lembrar que, quanto mais escura a pele, maior a dificuldade de absorção devido à barreira da melanina. Então pessoas de pele mais clara podem ficar menos tempo no sol para atingir a meta necessária.

Conseguir vitamina D através da alimentação é bastante difícil, pois ela aparece apenas em alimentos de origem animal e, ainda por cima, em baixas dosagens.

De qualquer forma, é recomendável fazer acompanhamento médico com exames frequentes, pois é difícil adivinhar em que situação cada pessoa está. Entretanto, pessoas que trabalham apenas em ambientes internos e/ou que trocam a noite pelo dia têm grandes chances de estar com deficiência e precisam ter mais atenção. Por mais divertido que pareça, um estilo de vida vampírico pode ser muito prejudicial para um ser humano.
   

sábado, 21 de novembro de 2015

Céu esta noite

Num certo lugar, não faz muito tempo, nasceu Suçuarana. Seus olhos, ora cinza, ora azuis; seus cabelos, avermelhados ou alaranjados, já queriam dizer o que seus lábios não diziam. Mas, se ela fosse ainda criança, perdoar-lhe-iam, talvez. Ela já é moça. Carrega um par de seios e mágoas. Mágoas do tio que a fez sangrar, mágoas da mãe que fingiu não saber.

Aos dezesseis, Suçuarana fugiu. Levava consigo um broto de lírio amarelo e seus vestidos. Chegando à cidade grande, como se estivesse sem alternativas, conheceu um rapaz e deitou-se com ele. Dessa vez, foi bom; sentindo-se umedecer e gemendo, como se ele a protegesse de tio Francisco, como se fosse sua mulher já. 

Resolveu morar com André, rapaz de loucuras afloradas; cheirava pó branquinho amarelado e bebia sucos ardidos que o deixavam violento e assustador. 

Um certo dia, tio Francisco bateu à porta. Queria levar Suçuarana de volta. André não deixaria. Cortou-lhe a garganta; ele sangrou, morreu. Sangrou como Suçuarana, tão jovem em seus braços, e, assim, homem e mulher fugiram.

Agora André era assassino além de drogado, e a polícia queria fazer maldades com ele e com sua amante, que jamais fora tão feliz até então.

Acontece que, na cidadezinha onde Suçuarana nasceu, havia um namoradinho de amores recém nascidos, Igor, que não queria amá-la e casou-se com Genoveva. Essa última morreu afogada, e Igor quis Suçuarana de novo e mandou Seu Francisco buscá-la. Como Seu Francisco não voltava, Igor foi procurá-la também, e veio para a cidade grande, onde conheceu a violência.

Enquanto isso, Suçuarana e André fugiam da polícia. Assassinavam testemunhas inocentes só por maldade; já estavam acostumados à dor e tratavam todos como tio Francisco e os policiais.   

Igor já era a personificação da revolta e só conseguia pensar em Suçuarana de volta. Perguntava pela ruiva quando avistou uma confusão e notou que eram policiais acinzentados e um casal cercado. Era André e sua amada. 

Um PM pegou sua ruiva como refém e fazia-lhe pequenos cortes para que André se rendesse. Suçuarana gritava: "Salve-se, Dé! Não se preocupe comigo!". Mas André não poderia viver sem Suçuarana e entregou-se à violência da lei. Suçuarana se livrou do homem de bem que a segurava, pegou a arma do sujeito e deu dois tiros em cada um dos polícias. 

Já era tarde. André agonizava os últimos minutos de sua existência. Suçuarana, muito desesperada, chorava e abraçava seu homem em momentos de despedida  trágica. 

Igor veio ajudá-la. Pegaram o corpo de André e o puseram no carro roubado da ruiva. Dirigiram até o quarto de Igor; levaram o cadáver e Suçuarana não sabia o que fazer. Igor já olhava para seu decote com malícia; quase lhe comia as carnes e enternecia de desejo. Começou a consolá-la deslizando as mãos entre suas pernas, escorregando os lábios por sua pele. 

Suçuarana, já ciente de suas intenções, se entregava e sentia os líquidos escorrendo. Por alguns momentos, ela não se lembrava mais de André, seu amor.